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BRASIL

Depois de 10 anos, antiga sede do Dops no Rio caminha para tombamento

A um passo de ser oficialmente reconhecida, a antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) no Rio de Janeiro, essa singular construção que já foi palco de horrores passados, está prestes a receber o tombamento definitivo. Este marco histó

12/11/2025

12/11/2025

A um passo de ser oficialmente reconhecida, a antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) no Rio de Janeiro, essa singular construção que já foi palco de horrores passados, está prestes a receber o tombamento definitivo. Este marco histórico tem um papel significativo na memória política brasileira e seu futuro será decidido às margens de um pronunciamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no dia 26 deste mês. Será uma decisão importante que há dez anos está em tramitação. Mas, o que essa mudança realmente significa?

Reconhecido tanto pelo seu valor histórico quanto arquitetônico, o Iphan fundamenta o tombamento na riqueza histórica e no peso simbólico que o edifício carrega para a democracia e a liberdade. Esta classificação implica que nenhuma modificação pode ser feita sem a devida comunicação e aprovação do instituto. Um movimento significativo para aqueles que, por décadas, pedem que o local se transforme num centro de memória. Você se pergunta qual é a relevância deste espaço para as lutas sociais no Brasil? Descubra a seguir.

Por que o tombamento do antigo Dops é importante?

Construído em 1910, com inspirações francesas, o edifício foi projetado como sede da Polícia Federal da época e, desde os anos 1960, está sob o comando da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Destinado inicialmente para fins policiais, tem obrigação de preservação, mas hoje enfrenta um estado precário de conservação. Apesar disso, a decisão de tombamento pode finalmente trazer uma resolução desejada.

O que encontramos no interior deste prédio histórico?

Fechado por mais de uma década, o edifício guardou testemunhos de uma história dura, narrada entre objetos e estruturas: desde celas solitárias a salas de depoimento acusticamente isoladas. Por lá, passaram figuras marcantes, e nos anos 2020, ainda nos surpreendemos com descobertas como a Coleção Nosso Sagrado, composta por mais de 500 objetos de religiões de matriz africana, hoje sob cuidado de lideranças religiosas e do Museu da República. Essas peças foram apreendidas entre 1889 e 1964 e contam mais um capítulo de nossa história.

Depois de 10 anos, antiga sede do Dops no Rio caminha para tombamento
Sala de interrogatório com revestimento original de isolamento acústico Foto: Felipe Nin/Divulgação/Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação

Como os elementos históricos impactam no presente?

Salas e documentos que sobreviveram aos anos são testemunhas empoeiradas de um passado de repressões. Apesar dos vícios do tempo, esses elementos permanecem intactos. Como destaca Felipe Nin, do Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação, o prédio preserva "elementos autênticos", desde armários de armamentos identificados com o Dops até carceragens que ainda carregam o silêncio das histórias que ali se construíram.

Qual é a perspectiva de um futuro para o Dops?

O tombamento assegura que o patrimônio não poderá ser descaracterizado e deve ser entendido como uma vitória na luta contra o esquecimento e apagamento histórico. Entretanto, enquanto a posse do imóvel não é devolvida ao governo federal, o destino do prédio ainda encontra incertezas quanto ao uso. A proposta da Polícia Civil de transformar o espaço em centro cultural enfrenta críticas, como a transformação da carceragem feminina em bistrô, vista por muitos como inadequada.

“É um projeto que exalta a Polícia Civil, a sua história, mas que não cita o Dops em nenhum momento”, alerta Nin, enfatizando a importância de se preservar a função de memória deste espaço.

Depois de 10 anos, antiga sede do Dops no Rio caminha para tombamento
Felipe Nin, do Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação, em visita à antiga sede do Dops no Rio em 2014 - Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Ainda há muito a ser discutido sobre o futuro deste marco histórico, mas o tombamento abre uma janela para não apenas lembrar, mas reavaliar nossa trajetória enquanto sociedade, com a esperança de um dia onde "nunca mais" seja um lema devidamente cumprido.



Com informações da Agência Brasil

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