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BRASIL

Interromper mudanças climáticas demanda investimento de US$ 1 trilhão

Na presidência da COP30, o Brasil surge com uma proposta ambiciosa: transformar as promessas em ações concretas para combater o aquecimento global. No entanto, aqui surge uma pergunta crucial, e quem sabe a mais desafiadora: quem está disposto a desembols

21/11/2025

21/11/2025

Na presidência da COP30, o Brasil surge com uma proposta ambiciosa: transformar as promessas em ações concretas para combater o aquecimento global. No entanto, aqui surge uma pergunta crucial, e quem sabe a mais desafiadora: quem está disposto a desembolsar o necessário para que as mudanças aconteçam? Infelizmente, ao que tudo indica, a resposta para essa questão não sairá de Belém.

O cenário financeiro necessário para essas transformações vem sendo amplamente discutido. Ciro Brito, analista de políticas climáticas do ISA (Instituto Socioambiental), destaca que apesar de ser um tema fundamental, o financiamento aconteceu de forma transversal, sem se consolidar como um ponto central de negociação nesta conferência.

“Financiamento foi um ponto que tentou se incluir desde o início dessa COP como um ponto de negociação, mas que no final não entrou como ponto de negociação. Então, o financiamento acaba que ele está sendo discutido de uma maneira transversal dentro de outros pontos de agenda, principalmente dentro dos pontos de agenda de adaptação.”

Por que os países ricos devem financiar a mudança climática?

Desde o Acordo de Paris, em 2015, ficou estabelecido que nações ricas, historicamente responsáveis pelo aumento da temperatura global, devem liderar financeiramente o apoio às nações em desenvolvimento, que pouco contribuíram para essa crise. No último encontro em Baku, estabeleceu-se a meta de transferir US$ 300 bilhões anualmente para esses países até 2035, embora esse valor ainda fique aquém dos mais de US$ 1 trilhão necessários.

Como o compromisso financeiro fomenta as metas climáticas?

De acordo com Érico Rocha, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, há um entendimento de que somente através do comprometimento robusto de recursos se pode serçar metas mais ousadas das nações. Rocha sublinha a importância de ações concretas dos países desenvolvidos para encorajar essas mudanças.

“No Acordo de Paris todo mundo tem meta, que é a NDC, a Contribuição Nacionalmente Determinada. E existe uma expectativa de que essas metas sejam cada vez mais ambiciosas. (...) Então, esse é um pouco do dilema, assim. Sem um gesto concreto de provisão de recursos por parte dos países desenvolvidos, é muito difícil que os países em desenvolvimento ampliem a sua ambição.”

Os países do Sul Global serão os mais afetados?

Ciro Brito também destaca que as nações do Sul Global, que já enfrentam altos níveis de endividamento, são as mais atingidas pelos impactos ambientais. A justiça climática envolve garantir que esses países tenham acesso aos recursos necessários para enfrentar a crise sem intensificar suas dívidas.

“Os outros países da América Latina, Caribe e Sudeste Asiático, principalmente, são os países que vêm registrando os maiores números de eventos climáticos extremos e de maior dano às suas populações por conta desses eventos. (...)

Quais são as perspectivas para a adaptação climática?

A expansão das fontes de financiamento para a adaptação climática também está na mesa, conforme ressaltou Érico Rocha. Uma das propostas mais destacadas seria triplicar esses fundos até 2030, ação que está sendo amplamente debatida entre as partes envolvidas.

“Então, existe um debate também muito relevante para que a gente consiga ter alguma meta, aqui, de financiamento para adaptação. (...)

O Brasil, juntando forças com o Azerbaijão, também apresentou o “Mapa do Caminho Baku a Belém”, com o objetivo de definir estratégias claras para alcançar o desejado financiamento de US$ 1 trilhão. Até esta sexta-feira (21/11), o destino desse caminho deve ficar mais claro.

4:08

Com informações da Agência Brasil

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