Uma cena de tensão e repúdio marcou a 15ª Conferência Municipal de Saúde de Cuiabá. Desta vez, o palco foi roubado pela polêmica reação do prefeito Abilio Brunini, que resultou na saída forçada da professora Maria Inês da Silva Barbosa, renomada estudiosa em saúde pública. O incidente, ocorrido em 30 de agosto, despertou a revolta de diversas organizações que defendem os direitos das mulheres, pessoas negras e da saúde coletiva.
Por que tanto alvoroço? A professora, ao utilizar pronomes neutros durante sua apresentação, foi acusada pelo prefeito de "doutrinação ideológica". A reação da conferencista, em defesa de uma postura mais inclusiva, adicionou mais combustível ao fogo, levando à sua retirada do evento. Se você acha que a história para por aí, engana-se! Quer saber mais?
Como uma conferência se transformou em palco de discórdia?
Maria Inês da Silva Barbosa, uma figura de destaque no debate sobre racismo e saúde, estava em meio a uma apresentação quando o prefeito Abilio Brunini interrompeu, criticando o uso de pronomes neutros. Segundo ele, trata-se de "doutrinação ideológica". A professora defendeu que esta forma de linguagem é uma questão de igualdade no tratamento dos pacientes.
A situação rapidamente saiu do controle, mas não sem deixar marcas. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e outras entidades expressaram solidariedade à professora, acusando o prefeito de atitudes antidemocráticas e de violência política de gênero.
A reação das entidades: o que dizem as organizações?
Por que o apoio a Maria Inês foi tão forte? Além da Abrasco, a Rede de Mulheres Negras do Nordeste, formada por 35 organizações, declarou não aceitar o "apagamento das identidades" e o "silenciamento de uma mulher negra". A linguagem neutra, afirmam, acolhe e reconhece a diversidade humana na sociedade brasileira.
Outros grupos, como a Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme) e o Odara – Instituto da Mulher Negra, uniram-se no apoio à professora. "É inadmissível que agentes públicos se considerem acima das leis federais e das normativas do SUS", criticou a Abrasme.
Qual foi a resposta do prefeito sobre o ocorrido?
Em resposta, a prefeitura de Cuiabá afirmou que, por decisão do prefeito, o uso de linguagem neutra não é permitido em eventos institucionais. Segundo a nota oficial, a gestão busca preservar a norma culta da língua portuguesa e a neutralidade ideológica. Mesmo assim, a prefeitura diz garantir espaço para todos, independente de raça ou orientação sexual, desde que o debate respeite os "princípios da administração pública".
Como esse caso reflete questões maiores na sociedade?
Este episódio é um claro reflexo das tensões sociais e culturais existentes no Brasil. Em um país diversificado, os mecanismos de opressão vivenciados por intelectuais negros e a comunidade LGBTQIAPN+ são uma triste realidade. A atitude do prefeito foi vista por muitos como um retrocesso nos debates sobre igualdade e respeito às identidades.
Enquanto uns veem a linguagem neutra como uma ameaça à "norma culta", outros a veem como uma necessidade em prol da inclusão. O debate continua, e este caso em Cuiabá é um convite para que você reflita: Até onde estamos dispostos a ir por um diálogo verdadeiramente inclusivo?
Com informações da Agência Brasil