Em 2014, o mundo se horrorizou com o sequestro de 276 meninas na Nigéria pelo grupo Boko Haram, chamando a atenção internacional para a crise dos direitos humanos. Uma década se passou, e as violações contra mulheres continuam alarmantes no país mais populoso da África, que recentemente ultrapassou o Brasil em número de habitantes. O Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher das Nações Unidas divulgou relatórios impactantes, revelando que tais abusos persistem de forma sistemática.
O que aconteceu com as meninas sequestradas? Dessas jovens, 82 conseguiram escapar sozinhas, e 103 foram liberadas após negociações. No entanto, ainda existem 91 meninas cujo paradeiro é desconhecido. As histórias ouvidas por uma delegação do comitê são de arrepiar: relatos de espancamento, violência sexual e nascimentos dentro dos cativeiros foram partilhados por vítimas e seus familiares.
O que dizem os relatórios sobre as violações contínuas?
O relatório mais recente do comitê destacou que algumas vítimas conseguiram assistência psicológica e bolsas de estudo, mas isso não foi uma regra. Muitas meninas que fugiram por conta própria permanecem sem apoio devido ao estigma, sem acesso a educação, cuidados médicos ou aconselhamento adequado. Essa falta de suporte é devastadora para o futuro delas.
Podemos considerar os sequestros um caso isolado?
Nahla Haidar, presidente do comitê da ONU, enfatiza que o sequestro de 2014 não é um caso isolado. Em todo o norte da Nigéria, cerca de 1.400 estudantes foram sequestradas, um problema que perpetua o ciclo de medo e insegurança entre as comunidades. Muitos destes raptos resultam em resgates, casamentos forçados, tráfico ou trocas de prisioneiros.
Qual o papel do governo nigeriano?
Falando sobre o papel do governo, fica claro que a Nigéria ainda falha em prevenir os ataques a escolas e proteger as meninas de sequestros. Além disso, o relatório aponta inconsistências legais regionais e a falta de esforços genuínos para combater a estigmatização das vítimas. Questões graves como a criminalização de raptos e a ausência de leis que penalizem o estupro conjugal também são levantadas.
O que está sendo feito para mudar essa realidade?
Protestando diante desse cenário, a Ministra de Assuntos da Mulher e Desenvolvimento Social da Nigéria diz que estão sendo realizados esforços para empoderar as mulheres através de uma "Agenda Esperança Renovada". Ela elogia os programas de assistência social e empoderamento no Estado de Ogum, próximo a Lagos, que visam mudar a situação. Mas será que essas iniciativas são suficientes e alcançam quem mais precisa?
Para conhecer mais sobre esta problemática e o impacto global disso, você pode acessar o relatório completo aqui.
Com informações da Agência Brasil