A influência dos povos indígenas nas grandes conferências sobre o clima vem crescendo de forma significativa. Em 2022, durante a COP 27 no Egito, foi inaugurado o primeiro pavilhão dedicado exclusivamente a esses povos. No ano seguinte, em Dubai, essa participação se intensificou, refletindo o reconhecimento internacional do papel crucial que os povos originários desempenham na preservação ambiental e no combate às mudanças climáticas.
Este ano, em Belém, há uma expectativa crescente sobre o protagonismo indígena nas discussões climáticas. Quem endossa essa ideia é Dinaman Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.
O que os povos indígenas esperam alcançar em Belém?
Segundo Tuxá, a luta é por uma participação efetiva nas negociações climáticas, garantindo que suas discussões sejam não apenas ouvidas, mas também integradas nas decisões. Ele destaca: "Nós buscamos alternativas para que nós obtivéssemos uma participação indígena [...] de participar nos espaços de tomada de decisão, ou seja, sentar na mesa com os negociadores".
Quais são os novos espaços de discussão indígena?
A ampliação desses espaços tem sido uma prioridade. Dinaman Tuxá explica que estão sendo promovidas várias iniciativas em colaboração com o Estado brasileiro e com outros movimentos sociais. Exemplos disso são a Aldeia COP e a Cúpula dos Povos, eventos em que as metas e demandas indígenas são colocadas em pauta, buscando soluções efetivas para a crise climática.
Por que a demarcação de terras é tão central?
Para os líderes indígenas, incluir a demarcação de terras nos acordos climáticos é uma demanda global que unifica o movimento. Este ano, na COP 30 no Brasil, Tuxá vê uma oportunidade significativa para tratar dessa e de outras questões, aproveitando para dar visibilidade às causas internas e sublinhando a importância de atingir audiências globais com suas reivindicações.
Quais temas centrais estarão na COP 30?
Os debates em Belém abrangerão questões vitais, como financiamento e justiça climática, além de discutir o impacto social e a proteção de populações vulneráveis em florestas tropicais. É importante lembrar que, globalmente, existem aproximadamente 476 milhões de indígenas, que são responsáveis pela preservação de quase 40% das florestas intactas do planeta, localizadas majoritariamente em territórios indígenas.
3:21
Com informações da Agência Brasil