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BRASIL

Estudo prevê substituição de roedor em testes antiveneno de serpentes

A bióloga Renata Norbert, do Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (INCQS/Fiocruz), conquistou destaque internacional com sua pesquisa inovadora. Ela desenvolveu uma metodologia para substituir camundongos por teste

22/10/2025

22/10/2025

A bióloga Renata Norbert, do Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (INCQS/Fiocruz), conquistou destaque internacional com sua pesquisa inovadora. Ela desenvolveu uma metodologia para substituir camundongos por testes in vitro na avaliação da qualidade de soros contra o veneno de cobras do gênero Bothrops. Este trabalho pioneiro foi condecorado pela Sociedade Europeia para Alternativa de Testes em Animais durante o 13º Congresso Mundial dedicado ao tema.

A pesquisa também recebeu menção honrosa do Centro Nacional para a Substituição, Refinamento e Redução de Animais em Pesquisa, do Reino Unido. A inovação não só reduz o sofrimento animal, mas também apresenta resultados mais eficientes e econômicos. Mas como isso afeta diretamente o combate aos acidentes com serpentes no Brasil?

Por que substituir camundongos em testes antiveneno?

Historicamente, o uso de camundongos é comum na cadeia produtiva de antivenenos, envolvendo etapas desde a produção até o controle de qualidade. Renata Norbert explica que a metodologia in vitro que utiliza células Vero é revolucionária, proporcionando resultados mais rápidos e econômicos. Ao eliminar a necessidade de roedores, o método acelera processos e reduz os custos em até 69%.

Essa pesquisa surge num momento crucial porque, segundo dados do DataSUS, as picadas de serpentes do gênero Bothrops – as famosas jararacas – são responsáveis por cerca de 12 mil acidentes anuais no Brasil. O desenvolvimento do antiveneno é essencial, pois essas serpentes respondem por 90% dos casos de envenenamento por cobras no país.

Como funciona o teste in vitro para soros antiveneno?

A técnica inovadora utiliza células Vero cultivadas em laboratório. Quando essas células são expostas a uma mistura de soro e veneno, a permanência delas intactas indica a eficácia do soro. Caso as células apresentem danos, significa que o soro falhou. Este método já é aplicado para liberação de vacinas, e Renata espera que, após a validação, a farmacopeia brasileira adote essa abordagem para venenos também.

“A gente quer sair da pesquisa e aplicá-la na prática”, enfatiza Renata.

A capacidade dessa metodologia ser replicada por outros laboratórios é crucial para sua validação. Como explica Renata, essa é a etapa em que outros especialistas testarão a técnica para verificar se obtêm os mesmos resultados que o INCQS alcançou.

Quais são os impactos da nova metodologia para a saúde pública?

A introdução desta técnica não apenas promete economia e eficiência, mas também tem o potencial de salvar vidas e reduzir o sofrimento animal. Atualmente, a produção de roedores específicos para testes consome recursos significativos e envolve crueldade. Este novo método acelera a liberação do soro no mercado brasileiro, podendo ser adaptado para situações internacionais, como na América Central e parte da América do Sul.

Estudo prevê substituição de roedor em testes antiveneno de serpentes
Testes antiveneno causam muito sofrimento aos animais usados em grande quantidade. Eles acabam sacrificados - Foto - Vital Brazil/Direitos reservados

Com foco na expansão internacional, Renata planeja colaborara com laboratórios fora do Brasil, especialmente em países que também enfrentam problemas com o gênero Bothrops. A expectativa é que essa metodologia se torne um padrão global, reduzindo a dependência de testes com animais e melhorando a resposta a emergências de picadas de cobra.



Com informações da Agência Brasil

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