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BRASIL

Número de falantes de línguas indígenas aumenta quase 50% em 12 anos

O aumento de falantes de línguas indígenas no Brasil é um marco significativo registrado pelo Censo Demográfico 2022. Conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que falam línguas indígenas cresceu 4

24/10/2025

24/10/2025

O aumento de falantes de línguas indígenas no Brasil é um marco significativo registrado pelo Censo Demográfico 2022. Conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que falam línguas indígenas cresceu 47,7% desde 2010, totalizando 433.980 indivíduos com mais de cinco anos de idade. Esse crescimento surpreendente levanta questões sobre o que está impulsionando essa mudança e como ela está se refletindo nas políticas públicas.

Esse dado é ainda mais impressionante quando se considera o crescimento fora das terras indígenas. Em 12 anos, o número de falantes praticamente dobrou, indicando um aumento de 52.095 pessoas. Algumas regiões, como o Amazonas, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, destacam-se pela concentração de falantes, somando milhares de pessoas em cada estado.

Por que o aumento de falantes de línguas indígenas é significativo?

O crescimento de falantes entre a população indígena não apenas preserva uma rica herança cultural, mas também reforça a identidade desses grupos. De acordo com Fernando Damasco, gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE, mapear onde estes falantes estão é crucial para desenvolver políticas públicas que reconheçam e protejam essas línguas. Assim, os municípios são incentivados a incorporar interpretes e traduções nos serviços públicos, facilitando o acesso dos indígenas aos seus direitos de cidadania.

“A oficialização das línguas faladas pelos povos indígenas contribui decisivamente para o acesso à cidadania e para o exercício de direitos, uma vez que facilita a tradução dos documentos formais e viabiliza a presença de intérpretes nos órgãos públicos”, comenta Damasco.

Onde estão as maiores concentrações de falantes?

Os dados mostram que Manaus lidera com 99 línguas indígenas declaradas, seguido por São Paulo e Brasília. Envolto em uma diversidade cultural rica, cada dessas capitais reflete um pequeno mundo de culturas e tradições únicas. Em localidades fora das capitais, como São Gabriel da Cachoeira no Amazonas, a diversidade linguística também é marcante.

A educação bilíngue pode ser a solução?

Mesmo com o crescimento do número de falantes, há uma advertência contra a substituição total das línguas indígenas pelo português nas escolas. Conforme Damasco destaca, "a alfabetização, se for feita de forma a simplesmente incentivar a substituição da língua indígena pelo português, pode ser absolutamente nociva." O ideal é um sistema bilíngue que valorize o ensino nas línguas nativas, fortalecendo a identidade cultural dos povos indígenas.

Para muitas comunidades, a língua é a chave para preservar uma cultura viva e resiliente. Portanto, ao promover a educação bilíngue, a presença das línguas indígenas é fortalecida em casa e em sala de aula.

O cenário linguístico indígena no Brasil é complexo e dinâmico, com movimentos positivos em direção ao respeito e à valorização das línguas nativas. Esses dados revelam tanto desafios como oportunidades, destacados pelas estatísticas do Censo Demográfico.

Número de falantes de línguas indígenas aumenta quase 50% em 12 anos
Encontro Povos Indígenas e Justiça de Transição, realizado em Brasília em 2023 Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Enquanto o Censo ajuda a iluminar o caminho para políticas públicas mais robustas, ele também destaca a necessidade de um esforço contínuo para suportar e celebrar a diversidade cultural do país. Como o próximo capítulo dessa história emocionante se desenrolará? Permaneceremos atentos para ver essas políticas se materializarem e esperamos uma maior inclusão e reconhecimento das comunidades indígenas em todo o Brasil.



Com informações da Agência Brasil

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