Vladimir Herzog foi um importante jornalista cujo trágico assassinato, ocorrido há 50 anos durante o regime militar no Brasil, continua reverberando na sociedade e na cultura do país. Em uma abordagem contemporânea, dois documentários lançados neste mês de outubro procuram recontar sua história e os acontecimentos dramáticos que abalaram uma era.
"A Vida de Vlado - 50 anos do caso Herzog" é um desses documentários, produzido pela TV Cultura, emissora em que Herzog atuava como diretor no momento de sua morte. Com o suporte valioso do Instituto Vladimir Herzog, a estreia do filme marcou presença na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Dirigido por Simão Scholz e narrado pelo jornalista Chico Pinheiro, o documentário explora a vida de Herzog desde suas origens na Iugoslávia até seu trabalho crucial no Brasil, incluindo materiais inéditos e surpreendentes fotos de um projeto sobre Canudos.
Como o documentário valoriza a memória de Herzog?
Esse projeto cinematográfico não se limita a recontar a biografia de Vladimir Herzog, mas realmente procura reconectar o passado ao presente através de utilizações inovadoras de arquivos, como slides recuperados pelo Instituto e matérias do acervo da TV Cultura. Este trabalho se esforça para trazer à tona perspectivas não contadas, impactando a audiência com novos ângulos sobre a história de Vlado.
Qual foi o impacto de "Herzog - O Crime que Abalou a Ditadura"?
Focado no contexto violento e politico da época, o documentário "Herzog - O Crime que Abalou a Ditadura", produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta, lança luz sobre o crime em si e os dias que cercaram o assassinato do jornalista. Márcia Cunha, diretora-executiva de conteúdo, destaca como o filme sublinha as práticas sombrias do regime militar e suas estratégias autocráticas que ressoam até os dias atuais.
Por que o uso de história em quadrinhos no filme?
Com a escassez de imagens de arquivo, a produção realiza uma interessante opção estética ao integrar trechos em história em quadrinhos para recriar os eventos. Tal técnica foi uma escolha criativa do diretor e roteirista Antônio Farinaci, visando oferecer uma narrativa envolvente e visualmente atrativa, baseada em relatos e depoimentos sobre aqueles tempos turbulentos.
Os testemunhos no documentário são enriquecidos por personalidades notáveis como os jornalistas Dilea Frate, Paulo Markun, Rose Nogueira, Sérgio Gomes e ainda Ivo Herzog, filho de Vladimir, além do diretor João Batista de Andrade. Esses depoimentos ressuscitam a vida e legado de Vlado, assegurando que suas contribuições e a injustiça de sua morte não sejam esquecidas.
Com informações da Agência Brasil