Faz um mês desde que se soube dos primeiros nove casos suspeitos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas. De lá para cá, uma série de providências foram adotadas por órgãos públicos para lidar com a situação. A agilidade nos testes aumentou, ajudando a confirmar ou descartar casos suspeitos com rapidez.
A estratégia para conter a crise envolve desde a organização de hospitais pólo até medidas em estados não diretamente afetados, como no Norte e Centro-Oeste. O sistema de alerta começa com os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), enquanto a vigilância sanitária e as forças policiais monitoram os locais de venda e consumo de bebidas.
O que sabemos sobre a origem da contaminação?
A origem suspeita da contaminação por metanol foi identificada na falsificação de bebidas, onde utilizou-se álcool combustível adulterado. Essa falha causou 58 casos de contaminação e 15 fatalidades em São Paulo.
O processo de investigação durou 20 dias desde a primeira suspeita até a descoberta da venda de combustível adulterado em postos da região do ABC paulista.
Como tem sido o impacto da crise nas vendas?
A venda de bebidas sofreu queda, mas não imediatamente após o alerta inicial. Somente em setembro, o consumo no comércio caiu cerca de 5%, segundo informações da Abrasel, a associação de bares e restaurantes.
Quais são as medidas para evitar novos casos?
Em resposta à crise, em 7 de outubro, o governo federal criou um comitê de enfrentamento para coordenar as ações contra a contaminação por metanol. Medidas incluem o envio de etanol farmacêutico e o antídoto fomepizol aos hospitais pólo.
![]()
O que foi descoberto pelas análises laboratoriais?
O Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo encontrou evidências de que o metanol não era um subproduto natural do processo de destilação, mas sim adicionado deliberadamente às garrafas. Com novos protocolos, a análise da presença de metanol tornou-se mais rápida e eficaz.
Quais são os desenvolvimentos mais recentes das investigações?
O "nariz eletrônico", desenvolvido por pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é uma inovação promissora que consegue identificar metanol em bebidas com apenas uma gota, utilizando inteligência artificial para reconhecer odor. Segundo o professor Leandro Almeida, "o nariz eletrônico transforma aromas em dados”.
Qual o próximo passo das autoridades?
A polícia continua as diligências para rastrear a origem completa das bebidas adulteradas. No âmbito legislativo, iniciativas buscam endurecer penas para falsificação de bebidas, como o PL 2307/07, que pode ser votado na Câmara dos Deputados, tipificando como crime hediondo a adulteração.
Até o último boletim, 58 casos de intoxicação foram confirmados, 50 estão em investigação, e 635 notificações foram descartadas. A crise segue sendo monitorada de perto pelas autoridades para garantir a segurança da população.
Com informações da Agência Brasil