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BRASIL

Famílias se cadastram para reconhecer corpos no IML do Rio

O amanhecer no Rio de Janeiro trouxe à tona uma dura realidade para as famílias que se dirigiram ao Instituto Médico-Legal, bem no coração da cidade. No dia seguinte à intensa Operação Contenção, elas buscam reconhecer os corpos das vítimas deste cenário

29/10/2025

29/10/2025

O amanhecer no Rio de Janeiro trouxe à tona uma dura realidade para as famílias que se dirigiram ao Instituto Médico-Legal, bem no coração da cidade. No dia seguinte à intensa Operação Contenção, elas buscam reconhecer os corpos das vítimas deste cenário trágico, marcado por uma série de confrontos no Complexo da Penha. O Detran-RJ, localizado ao lado do necrotério, é agora palco de um processo de cadastramento dos parentes em busca de respostas sobre seus entes queridos.

A operação, que já tinha um saldo de 64 mortes segundo dados oficiais, viu esse número aumentar dramaticamente com a descoberta de mais 70 corpos durante a madrugada, em regiões de mata. Esses eventos se desenrolaram no ambiente tenso do Complexo da Penha, um local tristemente conhecido pelo embate constante entre forças policiais e o Comando Vermelho.

O que acontece após a operação no Complexo da Penha?

Na fria manhã desta quarta-feira (29), os corpos com sinais de execução acabaram concentrando-se na Praça São Lucas antes de serem levados ao IML. Não há previsões para quando serão liberados, prolongando a angústia dos familiares que aguardam resoluções rápidas, porém incertas.

O cenário é de dor e indignação. "Eles largaram o corpo lá, pelado. Nem animal se trata assim, não importa o que a pessoa fez", desabafou anonimamente um parente entrevistado pela Agência Brasil. Este mesmo familiar veio de Cabo Frio, destacando o carinho por uma cidade onde esperava encontrar requinte e não a barbárie.

Quem são as pessoas por trás das estatísticas?

Nomes que representam histórias de vidas interrompidas emergem em relatos chocantes. Como "Carol Malícia", de apenas 24 anos, que foi surpreendida ao perder contato com Vitor, o pai de sua filha pequena. Vitor, encurralado durante os acontecimentos, não sabia se "iria suportar por muito tempo" quando comunicou-se pela última vez, até ser encontrado com ferimentos de bala.

Os desdobramentos dramáticos da operação, que recebeu total apoio do governador Claudio Castro, são avaliados de maneira controversa. Enquanto autoridades promovem a ação como fruto de planejamento detalhado e acompanhamento jurídico, muitos a denunciam como um massacre contra as comunidades locais.

A posição do governo diante da operação policial

Classificada por Claudio Castro como "um sucesso", a operação é vista por defensores dos direitos humanos sob uma luz bem diferente. Movimentos das favelas e organizações da sociedade civil não hesitaram em classificar a intervenção como uma chacina, uma denúncia que ressoa alto em todas as esferas preocupadas com a dignidade e os direitos humanos dos habitantes do Rio de Janeiro.

Famílias se cadastram para reconhecer corpos no IML do Rio
Dezenas de corpos são reunidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil



Com informações da Agência Brasil

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