Uma operação policial no Rio de Janeiro gerou comoção, revolta e denúncias de violência excessiva nesta terça-feira. Nos complexos da Penha e do Alemão, zona norte da cidade, moradores relataram execuções e torturas durante uma ação contra o tráfico de drogas, classificada como carnificina pelas testemunhas e pela Associação de Moradores local. Segundo dados oficiais, pelo menos 119 pessoas perderam a vida, marcando a operação como a mais letal na história da cidade.
Testemunhas que tentaram ajudar as vítimas enfrentaram resistência e violência. Relatos de gritos de socorro e testemunhos de atrocidades, como dedos decepados e decapitações, contrastam com a versão oficial do governo do estado, que atribui as mortes a confrontos durante a operação.
O que levou a operação se transformar em tragédia?
Com uma estratégia de contenção dos suspeitos, as forças policiais invadiram as comunidades e bloquearam as fugas pelas matas, cenário dos confrontos mais violentos. As comunidades ficaram cercadas por policiais fortemente armados, enquanto moradores tentavam, em vão, socorrer os feridos.
Um morador relatou: "A polícia não parava de atirar e lançar bombas de gás. Tínhamos que nos esconder entre os corpos para avançar." Essas ações resultaram em um cenário devastador, com dezenas de corpos resgatados, muitos exibindo sinais de tortura.
Quem são as vítimas desta operação?
Entre os mortos, além dos suspeitos de tráfico, estão moradores que, segundo relatos, estavam no lugar errado, na hora errada. "São pessoas daquela região que criavam cavalos. Infelizmente, perderam a vida," denunciou o presidente da associação comunitária.
Os relatos chocantes de execuções de pessoas já rendidas intensificam as acusações de abusos por parte da polícia, que, segundo os familiares das vítimas, preferiu deixar os corpos no local para evitar gerar provas.
A versão do governo sobre a operação
A Operação Contenção foi divulgada pelo governo como bem-sucedida, com 113 prisões e 119 mortes. O secretário de Segurança Pública defendeu os policiais, afirmando que eles seguiram as normas vigentes. No entanto, negou as execuções, classificando os agentes como vítimas.
Com a ação abrangendo 2,5 mil policiais, esta operação tornou-se a maior nos últimos 15 anos. Contudo, seu desfecho trágico levanta importantes questões sobre a violência policial e a necessidade de apuração rigorosa dos abusos alegados.
As histórias e preocupações dos moradores locais continuam a ecoar em busca de justiça e apuração correta das realidades ocorridas nesta operação.
Com informações da Agência Brasil