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BRASIL

Desastre de Mariana completa 10 anos e moradores ainda buscam justiça

Mônica Santos inicia mais um dia de trabalho no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), sem imaginar como sua vida mudaria drasticamente em apenas algumas horas. Naquela manhã tranquila de 5 de novembro, tudo parecia normal até que o inesperado acon

05/11/2025

05/11/2025

Mônica Santos inicia mais um dia de trabalho no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), sem imaginar como sua vida mudaria drasticamente em apenas algumas horas. Naquela manhã tranquila de 5 de novembro, tudo parecia normal até que o inesperado aconteceu. Ao término do dia, sua casa, assim como dezenas de outras, estava soterrada pela lama. Uma década após esse desastre, Mônica ainda batalha para colher os frutos da justiça. Ela sintetiza a dor que se recusa a desaparecer: "É como se estivesse tudo acontecendo agora".

Com a promessa de um sustento duradouro, a barragem do Fundão parecia segura, mas às 6h da tarde o pesadelo começou. Com o rompimento, cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineração da Samarco se espalharam, deixando um rastro de destruição. 19 vidas ceifadas, mais de 600 pessoas desabrigadas e um distrito inteiro devastado. Mônica foi uma das sobreviventes, mas sua luta ainda não terminou.

O que aconteceu com a casa de Mônica?

Ao receber o telefonema alarmante de uma prima, Mônica soube do rompimento. Desesperada, foi buscar sua mãe e passou a noite em vigília pelas estradas. Quando o sol iluminou a devastação, foi que a ficha finalmente caiu: "Eu não tinha mais nada".

Desastre de Mariana completa 10 anos e moradores ainda buscam justiça
Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco - Antonio Cruz/ Agência Brasil

Na sua casa um dia cheia de memórias, hoje restam apenas lembranças. A nova esperança se concretiza no reassentamento de Novo Bento Rodrigues, mas apesar de uma nova moradia, Mônica e sua mãe enfrentaram muitos desafios. "A nossa casa ainda está cheia de problemas. Não foi entregue 100%", relata.

Como a comunidade está sendo apoiada?

Mesmo com um novo lar erguido pela Samarco, a luta por plena justiça continua. "Enquanto eu tiver força, vou lutar para que as pessoas sejam de fato indenizadas e restituídas", diz Mônica. A falta de título de propriedade nos faz questionar: será que a justiça prevaleceu?

Quais outras ameaças enfrentamos?

"São projetos antidemocráticos onde empresas desconsideram as populações", observa Márcio Zonta, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração.

Em todo o Brasil, 916 barragens existem, sendo 74 em alto risco de colapso. A sombra de novos desastres paira sob a mineração intensa, especialmente em Minas Gerais, palco de duas catástrofes recentes, Mariana e Brumadinho. Esse risco contínuo nos faz pensar sobre o futuro da mineração no país.

Desastre de Mariana completa 10 anos e moradores ainda buscam justiça
Barragem da mineradora Samarco se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais - Foto Corpo de Bombeiros/MG - Divulgação

Quais são os caminhos para a reparação?

O programa Caminhos da Reportagem mostrou a luta incessante dos atingidos e as ações de reparação. Avanços na segurança de barragens foram feitos, mas a realidade das pilhas de rejeitos ainda é negligenciada. No entanto, há esperança em progresso.

O que aconteceu com as indenizações?

Desde 2015, a Samarco já destinou R$ 68,4 bilhões para reparação e compensação, R$ 32,1 bilhões em acordos de indenização. "Esses recursos têm transformado a realidade econômica da bacia", defende a empresa. Mas a realidade para muitos, como Francisco de Paula Felipe, que ainda aguardam resolução na Justiça, é de incerteza e desconfiança.

Desastre de Mariana completa 10 anos e moradores ainda buscam justiça
Obras de recuperação no Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG) - Foto Divulgação/Fundação Renova

Assim, a busca por recomeçar suas vidas persiste, alimentada pela esperança de, um dia, ver sua comunidade restaurada e segura.



Com informações da Agência Brasil

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