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Na última semana, chegou aos cinemas brasileiros o documentário Rejeito, dirigido por Pedro de Filippi, uma obra que promete mexer com você ao abordar uma temática urgente e sensível. Estamos falando das comunidades de pequenas cidades de Minas Gerais, como Socorro e Barão de Cocais, em meio à intensa atividade mineradora que por vezes ameaça suas existências. Se você é atento às questões ambientais, esse filme pode ser uma experiência reveladora. Ele já conquistou o público de festivais nacionais e internacionais que dão voz ao meio ambiente.
A produção, que levou quatro anos para ser filmada, dá destaque à vida dos moradores locais e às pressões de viver sob o medo constante de desastres como o de Mariana. A obra escancara como este medo é utilizado para forçar essas comunidades a deixarem suas terras, liberando o caminho para a expansão da mineração.
Como o "terrorismo de barragens" afeta a vida das comunidades?
O documentário enfoca o assédio a essas comunidades e como elas lutam pelo direito de permanecer em suas terras, onde vivem há décadas. Essa luta é conduzida de forma corajosa por líderes como a ambientalista Maria Tereza Corujo, mais conhecida como Teca, que enfrenta a pressão das empresas mineradoras desde os anos 1990.
Teca explica que a atuação agressiva das mineradoras não só afeta o meio ambiente, como também coage o poder público e divide as comunidades. "Irmãos foram realocados em bairros distantes, reuniões foram feitas com advogados separados, causando intrigas. Hoje, 90% de Socorro pertence à Vale, que postergou o retorno da comunidade para 2029 após um alerta de rompimento de barragem”, conta Teca.
O que a produção revela sobre estratégias de pressão?
A obra traz à tona o "terrorismo de barragens", uma estratégia onde o temor de desastres iminentes é usado para realocar comunidades inteiras, facilitando a expansão da mineração. Descrita como uma ferramenta de apropriação capitalista, ela empurra moradores para venderem suas terras a preços baixos, deixando a área livre para os interesses minerários.
O diretor do filme, Pedro Filippi, coloca que essa prática se torna ainda mais flagrante quando interesses empresariais influenciam o poder público. Este tema também ganhou visibilidade com a Operação Rejeito da Polícia Federal, que investigou tais conluios.
Qual impacto Rejeito pode causar nas comunidades?
A primeira exibição do documentário foi nas próprias comunidades afetadas, promovendo uma reflexão direta entre os moradores. Filippi levou o filme até Socorro, Barão de Cocais, Itabira, e pretende alcançar outras cidades ameaçadas pelo Projeto Apolo, grande empreendimento de mineração na região central de Minas Gerais.
Ele comenta que o filme não faz promessas de transformação imediata, mas espera que seja uma expressão de resistência que prospere entre tantas outras em Minas Gerais.
Qual é a palavra da Vale sobre as denúncias?
Dada a relevância das acusações, a Vale, principal mineradora em Minas Gerais, foi procurada para comentar a situação. A empresa declarou estar empenhada em reduzir os impactos das operações e manter um relacionamento construtivo com as comunidades afetadas, através de canais de diálogo e participação nas decisões.
Em nota, a Vale afirmou que prioriza a gestão de riscos e o respeito aos direitos culturais e sociais das comunidades. Além disso, destacou investimentos em cultura, como o apoio a artistas locais e a criação de um museu em Mariana.
Se este tema te instigou, não perca a oportunidade de assistir Rejeito e se envolver com a questão. É uma chance de entender mais profundamente as complexas relações entre mineração, comunidades e poder público.
Com informações da Agência Brasil