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BRASIL

Júri de jovem lésbica assassinada em 2023 começa hoje no Maranhão

A sentença do caso Ana Caroline Campêlo de Sousa entra em um capítulo decisivo nesta quarta-feira (5), em Governador Nunes Freire (MA). Elizeu Carvalho de Castro, conhecido como Bahia, enfrenta o júri popular, que determinará se ele será considerado culpa

05/11/2025

05/11/2025

A sentença do caso Ana Caroline Campêlo de Sousa entra em um capítulo decisivo nesta quarta-feira (5), em Governador Nunes Freire (MA). Elizeu Carvalho de Castro, conhecido como Bahia, enfrenta o júri popular, que determinará se ele será considerado culpado ou inocente pelo assassinato brutal de Ana Caroline, ocorrido em dezembro de 2023, no município de Maranhãozinho.

A jovem Ana Caroline, com apenas 21 anos, foi vítima de um sequestro seguido de tortura e assassinato. Conforme os autos do processo, a motivação para esse crime hediondo teria sido lesbofobia, um ataque direto à sua orientação sexual. Tal violência não apenas ceifou a vida de Ana Caroline, mas abriu feridas profundas na luta pelos direitos LGBTQIA+ no Brasil.

Como aconteceu o crime que chocou o país?

Em uma noite de dezembro de 2023, Ana Caroline voltava para casa de bicicleta, após mais um dia de trabalho. Esse cotidiano aparentemente inocente foi bruscamente interrompido: ela foi raptada e, posteriormente, encontrada morta, com sinais evidentes de extrema violência. Investigações apontam a terrível possibilidade de "estupro corretivo".

O caso foi denunciado pelo Ministério Público, que incluiu no processo três agravantes: meio cruel, emboscada e feminicídio. A advogada da família, Luanna Lago, enfatiza que o inquérito traz depoimentos fundamentais que acreditam ser suficientes para determinar a culpa do acusado por um crime de ódio que abalou a sociedade.

Mobilizações e críticas: como esses movimentos buscam justiça?

Grupos de defesa dos direitos LGBTQIA+, indignados com a lentidão da Justiça, criticam a demora nos processos. O Levante Nacional Contra o Lesbocídio não só acompanhou o caso de perto, mas também destacou a importância de investigações transparentes. Para eles, o caso de Ana Caroline demanda respostas que honrem a memória de todas as mulheres lésbicas cujas vozes foram silenciadas pela violência e pelo preconceito.

Em um comunicado enfático, o grupo reforçou: "É inadmissível que continuemos sujeitas à violência e ao menosprezo de homens que não toleram a nossa liberdade". Por isso, organizações como a Coletiva LesboAmazonidas prestam solidariedade à família e exigem rapidez e transparência no julgamento.

Qual o papel das manifestações sociais nessa luta?

Para Carmem Sousa, mãe de Ana Caroline, cada mobilização tem sido um amparo. Ela confessa que "se não fossem as manifestações, esse julgamento não aconteceria". A força desses movimentos vem sendo determinante para que casos como o da sua filha cheguem aos tribunais, segundo Julia Kumpera, representante do Levante Nacional. "É a luta social que transforma a dor e a injustiça em ação e mudança", salienta Julia.

Qual é a realidade sobre a violência contra LGBTQIA+ no Brasil?

Um relatório do Grupo Gay da Bahia destacou, em 2024, 291 assassinatos de pessoas LGBTQIA+ no país, com 11 dessas vítimas sendo lésbicas, o que levanta preocupações sobre a subnotificação desses crimes. A necessidade de reconhecer o lesbocídio no Código Penal brasileiro se faz urgente, refletida no Projeto de Lei 3.983/2024 da deputada Carla Ayres.

Outro projeto relevante é o PL 7582/2014, que busca classificar como hediondos os homicídios contra LGBTQIA+. Cada passo no Congresso Nacional é uma batalha na luta por justiça, e ativistas não medem esforços para que o sangue derramado de suas irmãs não seja em vão.

Por enquanto, o desfecho do julgamento de Elizeu Carvalho de Castro ainda é aguardado. A equipe de reportagem continua buscando ouvir a defesa do réu, mantendo aberto o espaço para manifestações que se façam justas e necessárias.



Com informações da Agência Brasil

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