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BRASIL

Abin diz que projeto das UPPs resultou na expansão nacional do CV

Implantadas com o objetivo de reduzir a violência no Rio de Janeiro, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) parecem ter desencadeado consequências inesperadas, como a expansão do Comando Vermelho para outras partes do Brasil. Essa é a análise apresent

07/11/2025

07/11/2025

Implantadas com o objetivo de reduzir a violência no Rio de Janeiro, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) parecem ter desencadeado consequências inesperadas, como a expansão do Comando Vermelho para outras partes do Brasil. Essa é a análise apresentada por Pedro de Souza Mesquita, coordenador Geral de Análise de Conjuntura Nacional da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante uma reunião da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. Essa movimentação foi como uma fagulha que espalhou a facção criminosa para além das fronteiras cariocas. Mas como essa situação chegou a esse ponto? Vamos explorar o que Mesquita revelou e as possíveis implicações para a segurança pública.

Segundo Mesquita, a pressão imposta pelas UPPs obrigou os líderes do Comando Vermelho a buscar novos territórios, levando a facção a se fortalecer em outros estados desde 2013. "A fagulha desse processo é uma externalidade negativa do próprio projeto de UPP", destacou durante a audiência. Mas o que exatamente levou essa expansão do crime organizado a se manifestar de forma tão abrangente, especialmente no norte do país?

Como foi a expansão das áreas de atuação do Comando Vermelho?

Quando os líderes foram obrigados a deixar o Rio, novas portas se abriram. "A partir do momento em que esses líderes são forçados a sair, eles buscam fronteiras seguras para se reorganizar e retornar ao Rio", explicou Mesquita. Desde então, o Comando Vermelho já marcou presença significativa em estados como Tocantins, Pará, Rondônia e Santa Catarina. Essa expansão significativa ganhou forma especialmente no ano passado, quando a facção quase dominou todo o norte do Brasil, exceto Roraima e Amapá.

A crescente influência do Comando Vermelho foi potencializada ao se alinhar com outros grupos que enfrentavam o Primeiro Comando da Capital (PCC) em seus territórios. "O CV começou a oferecer uma rede de acesso a armas e drogas, criando uma cadeia de comando mais descentralizada do que o PCC", destacou Mesquita.

Como o crescimento do PCC no exterior afeta a segurança nacional?

Enquanto o Comando Vermelho se espalha pelo Brasil, o PCC amplia suas operações além das fronteiras nacionais, com o foco em transnacionalidade. "Esse é o maior case de atuação que impacta nossa estabilidade interna e nossa imagem internacional", afirmou Mesquita. Desde 2016, o avanço internacional do PCC se mantém em crescimento. Em 2018, um comunicado da facção solicitou membros que falassem espanhol, evidenciando sua intenção de se expandir na América Latina. Atualmente, a presença do PCC é relatada em 28 países, com mais de 2 mil membros.

Qual é a resposta do governo do RJ à expansão do Comando Vermelho?

O governo do Rio de Janeiro, questionado pela Agência Brasil, argumenta que a nacionalização do Comando Vermelho não é exclusivamente consequência das UPPs. A Secretaria Estadual de Segurança reconhece a dificuldade de manter a ocupação territorial sem políticas públicas integradas. "A divulgação das ações das UPPs e a pressão sobre os territórios ligados ao tráfico forçaram muitos criminosos a migrar", mencionou a Secretaria em comunicado, ressaltando que é preciso uma coordenação entre governos – federal, estadual e municipal – para combater o narcotráfico de forma eficaz.

Essas revelações destacam a complexidade do combate às facções criminosas no Brasil e a necessidade de estratégias integradas e coordenadas, que considerem as diversas dinâmicas de poder que influenciam a segurança pública.



Com informações da Agência Brasil

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