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BRASIL

Em protesto pacífico, indígenas munduruku cobram participação na COP30

Imagine acordar antes mesmo do sol nascer e se deparar com um protesto significativo que ecoa por toda parte. Foi isso que aconteceu na manhã da última sexta-feira (14), em Belém do Pará, durante a Cúpula das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (CO

14/11/2025

14/11/2025

Imagine acordar antes mesmo do sol nascer e se deparar com um protesto significativo que ecoa por toda parte. Foi isso que aconteceu na manhã da última sexta-feira (14), em Belém do Pará, durante a Cúpula das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30). Um grupo de 90 indígenas da etnia Munduruku deu início ao quinto dia do evento ocupando, de forma pacífica, a área externa da "Zona Azul", um espaço reservado aos negociadores e pessoas credenciadas.

E qual foi a motivação para essa ocupação? Os indígenas exigem atenção e uma reunião de emergência com o presidente Lula. Uma das manifestantes expressou a frustração e o cansaço de lutar por anos em uma batalha em que, muitas vezes, sentem-se excluídos. "Nós, mulheres, caciques, jovens, crianças, exigimos a presença do presidente Lula. Sempre somos barrados, nunca fomos ouvidos", lamentou ela.

Por que os Munduruku estão protestando?

Você já se perguntou o que impulsiona o espírito de resistência? Para os Munduruku, a resposta é clara: a proteção das suas terras e a rejeição de serem vistos como "ativos" de mercado nos debates climáticos. "Nossa floresta não está à venda" e "Não negociamos a Mãe Natureza" são algumas das mensagens cravadas nos cartazes dos manifestantes.

O protesto também levanta questões urgentes quanto à retirada dos invasores das terras indígenas e o fim do Marco Temporal, uma legislação controversa que, segundo eles, limita os direitos dos povos originários. No coração dessa manifestação está um pedido simples, mas poderoso: reconhecimento e respeito.

Como tem sido a reação no local?

Ainda que pacífico, o avanço dos indígenas foi interceptado por soldados do Exército, ocasionando a interdição temporária do acesso à Zona Azul da COP30. No entanto, em um cenário de resiliência, onde a voz dos indígenas muitas vezes é silenciada, não houve violência. Um acesso secundário foi rapidamente liberado para os participantes do evento.

Em protesto pacífico, indígenas munduruku cobram participação na COP30

Qual o papel dos apoiadores e da COP?

Surpreendentemente, um elo de solidariedade foi formado por outros participantes do evento, que criaram um verdadeiro "cordão humano" em torno dos protestantes. André Corrêa do Lago, presidente da COP30, fez questão de dialogar com os manifestantes, na esperança de encontrar um caminho de compreensão mútua.

Marco Apolo Santana, advogado da Associação Wakoborun, destacou a relevância desse diálogo: "Elas se sentem excluídas. Felizmente, não houve violência. Houve um diálogo com o presidente da COP. Vai ter uma reunião agora, e espero que seja resolvido da melhor forma possível."

Em protesto pacífico, indígenas munduruku cobram participação na COP30

Os Munduruku, cuja maioria reside na bacia do Rio Tapajós, continuam lutando pela defesa do que é seu por direito. E você, o que faria se suas terras ancestrais estivessem sob ameaça?



Com informações da Agência Brasil

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