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BRASIL

Pesquisa aponta que maioria de envolvidos gostaria de sair do tráfico

Você já imaginou o que leva tantas pessoas a se envolverem no mundo do crime? Um estudo do Instituto Data Favela oferece algumas respostas surpreendentes. Divulgada na segunda-feira (17), a pesquisa revela que 58% das quase 4 mil pessoas envolvidas com o

17/11/2025

17/11/2025

Você já imaginou o que leva tantas pessoas a se envolverem no mundo do crime? Um estudo do Instituto Data Favela oferece algumas respostas surpreendentes. Divulgada na segunda-feira (17), a pesquisa revela que 58% das quase 4 mil pessoas envolvidas com o tráfico de drogas entrevistadas gostariam de sair dessa vida, desde que pudessem garantir um sustento digno e estabilidade pessoal. No entanto, ainda há um grupo significativo que não deixaria o crime, mesmo tendo essa oportunidade.

Por que algumas pessoas escolhem permanecer onde estão? O que realmente as impede de buscar caminhos diferentes? A pesquisa, parte do estudo "Raio-X da Vida Real", realizado entre agosto e setembro de 2025 em favelas de 23 estados, busca responder a essas perguntas complexas, revelando que a falta de oportunidades e a segurança econômica desempenham um papel crucial nas decisões dessas pessoas.

Por que muitos não deixam o crime?

Surpreendentemente, 31% dos entrevistados afirmam que não sairiam do crime, mesmo tendo uma chance de mudar. Isso pode parecer confuso, mas para muitos, a resposta está na garantia de uma renda melhor. Apenas as perspectivas de abrir seu próprio negócio ou alcançar um emprego com carteira assinada são atrativos para considerarem essa mudança, como apontaram, respectivamente, 22% e 20% dos participantes do estudo.

Qual o peso da remuneração na escolha?

A busca por uma remuneração que sustente suas necessidades básicas é a principal razão pela qual muitos permanecem no tráfico. Com 63% dos participantes ganhando até dois salários-mínimos - cerca de R$ 3.040 -, a escolha pela vida no crime se torna uma tentativa de garantir ao menos isso, ainda que a renda média mensal encontrada na pesquisa tenha sido um pouco maior, de R$ 3.536,00. Para muitos, esse dinheiro é escasso e mal cobre as despesas mensais.

“Muitas dessas pessoas acabam recebendo muito menos do que esperavam inicialmente, vivendo em um ciclo de risco constante”, explica Geraldo Tadeu Monteiro, diretor técnico do Instituto, destacando como a ilusão de estabilidade financeira rapidamente se dissipa para a maioria.

Como a entrada no crime se liga ao desespero financeiro?

“Entram no crime acreditando que será suficiente para uma vida melhor, mas logo descobrem que não é bem assim”, explica Monteiro, sublinhando como a necessidade econômica força essas escolhas difíceis.

Devido aos ganhos incertos e baixos no crime, muitos buscam uma segunda fonte de renda. A pesquisa aponta que 36% dos envolvidos no crime têm outra atividade remunerada, enquanto 42% fazem bicos e 24% empreendem em atividades como venda de alimentos ou consertos.

O que as entrevistas revelam sobre o envolvimento no crime?

No total, foram realizadas 5 mil entrevistas, das quais 3.954 foram consideradas válidas. Com um questionário robusto de 84 perguntas e margem de erro de apenas 1,56 ponto percentual, esta pesquisa é a maior já conduzida sobre pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. A confiança nos dados é de 95%.

Ela nos oferece uma visão aprofundada sobre perfil, história, e motivações dos entrevistados, com insights sobre suas expectativas de futuro e as dificuldades enfrentadas.

Quem são essas pessoas?

Os resultados revelaram um perfil bem específico: 79% dos participantes são homens, 21% são mulheres, e menos de 1% se identifica como LGBTQIAPN+. Veja mais sobre quem são essas pessoas:

  • 74% são negros;
  • Metade são jovens entre 13 e 26 anos;
  • 80% nasceram e cresceram na mesma favela onde vivem hoje;
  • 50% têm companheiros ou companheiras;
  • 70% pertencem a religiões de matriz africana, católica ou evangélica;
  • 52% são pais;
  • 42% não concluíram o ensino fundamental.

Os vínculos familiares são fortes, com 43% considerando a mãe como a figura mais importante, seguidos por laços afetivos com avós, tias, e companheiras. Há também uma rejeição contundente à ideia de que seus filhos entrem para o crime: 84% dos entrevistados não aceitariam essa escolha para suas crianças.



Com informações da Agência Brasil

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