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BRASIL

Jovens identificam que racismo é marcador das desigualdades no DF

"Desastre natural, racismo ambiental/ Sem orçamento pra comunidade tradicional/ Emergência climática de um racismo estrutural." Este não é apenas um verso de rap. É, na verdade, uma poderosa declaração que ressoa nas ruas das regiões periféricas do Distri

20/11/2025

20/11/2025

"Desastre natural, racismo ambiental/ Sem orçamento pra comunidade tradicional/ Emergência climática de um racismo estrutural." Este não é apenas um verso de rap. É, na verdade, uma poderosa declaração que ressoa nas ruas das regiões periféricas do Distrito Federal, trazida à vida por jovens como Pajé, Camila MC e Nerd do Gueto. Nesses trechos, eles encapsulam sentimentos e diagnósticos sociais revelados pelo Mapa das Desigualdades, uma pesquisa crucial que vem à tona justo no Dia dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro.

Jovens rappers do DF

Coordenado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), esse projeto não é apenas uma coleção de dados; envolve também músicas, poesias e a voz de trinta jovens ativistas que vivem na pele a realidade de regiões desassistidas. Ao esmiuçar as desigualdades em Brasília, eles trouxeram à luz uma triste constatação: o racismo permeia e escancara as desigualdades de oportunidades e acessos às políticas públicas.

Como são as desigualdades entre o Lago Sul e o Itapoã?

Em Brasília, a geografia também conta histórias de desigualdade. Enquanto o Lago Sul ostenta um cenário mais abastado e majoritariamente branco, o Itapoã, uma comunidade pobre com uma população predominantemente negra, vive uma realidade bem diferente. Falta de creches, hospitais e um transporte público deficiente são apenas algumas das barreiras enfrentadas. O saneamento básico parece um sonho distante para muitas dessas famílias.

O impacto nas novas gerações: o que está em jogo?

A juventude é a mais afetada. Markão Aborígine, educador social do Inesc, reforça que o Mapa das Desigualdades foi essencialmente construído pelos jovens: "Esses jovens vivem a falta de acesso a serviços públicos e traduziram isso em música. São muito mais do que números." Essa declaração ecoa a realidade brutal de que muitas das áreas mais vulneráveis e de maioria negra carecem de políticas públicas adequadas.

No Plano Piloto, 98% dos habitantes têm acesso a espaços verdes, enquanto no Itapoã esse número cai para 34%. E assim, a discriminação racial atravessa todos os aspectos, desde saúde e educação até mobilidade.

Como a precariedade do transporte público impacta a dignidade?

Victor Queiroz, designer de 27 anos que participou do projeto, desabafa: "Ando 30 minutos até o ponto de ônibus e ainda tenho que esperar mais 40 minutos. O ônibus sempre lotado sai do Itapoã e vai ao Paranoá." Segundo ele, essa situação gera desestímulo entre os jovens, impedindo-os de alcançar uma qualidade de vida digna.

Transporte lotado DF

O que o governo faz para enfrentar essas desigualdades?

Em resposta, o governo do Distrito Federal reconhece essas disparidades, mas garante estar investindo na área social. Com planos que visam a combater as desigualdades raciais e fortalecer a cidadania, eles alegam um aumento significativo nos investimentos sociais, que saltaram de R$ 347 milhões em 2020 para R$ 935 milhões em 2023. "Todas as ações são monitoradas pelo Conselho de Assistência Social do DF, assegurando a participação cidadã", afirma a Secretaria de Desenvolvimento Social.



Com informações da Agência Brasil

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