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BRASIL

Dia da Consciência Negra no Rio marca incentivo à “economia preta”

No coração do Rio de Janeiro, em plena Avenida Presidente Vargas, um monumento intrinsecamente ligado à luta pela liberdade resplandeceu nesta quinta-feira (20). Estamos falando da estátua de Zumbi dos Palmares, que se viu cercada por manifestações cheias

20/11/2025

20/11/2025

No coração do Rio de Janeiro, em plena Avenida Presidente Vargas, um monumento intrinsecamente ligado à luta pela liberdade resplandeceu nesta quinta-feira (20). Estamos falando da estátua de Zumbi dos Palmares, que se viu cercada por manifestações cheias de música, dança e, claro, muita história. Este ponto emblemático torna-se o epicentro das celebrações do Dia da Consciência Negra, um evento que busca muito mais do que reconhecer a resistência cultural, mas também apontar para um futuro inclusivo e igualitário.

Em meio às festividades, algo peculiar se destacou: um buffet generoso de pratos afro-brasileiros, comercializado no centro das atenções. Para a empreendedora Carol Paixão, este não era apenas um banquete, mas uma poderosa manifestação de uma economia próspera e ainda em ascensão, chamada por ela de "economia preta". Black money, como muitos preferem nomear, é um movimento que tem transformado a dinâmica econômica ao fazer a riqueza circular dentro da comunidade negra.

Qual a essência da economia preta?

Imagine uma economia que reverencia suas raízes, que encontra força na própria cultura africana. Carol Paixão busca exatamente isso com o Império Kush, seu empreendimento inspirado em um antigo império africano. Ela acredita que este é o caminho para empregar mais pessoas pretas e que sua essência está nas parcerias solidárias entre negros.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a realidade da população preta e parda no país ainda é marcada pelo desemprego e salários baixos, comparados à média nacional.

Por que a reparação é uma necessidade urgente?

Na frente do monumento a Zumbi, Luiz Eduardo Oliveira, também conhecido como Negrogun, reforça a urgência de se discutir reparações históricas pelos atos de escravidão que duraram mais de três séculos no Brasil. Como presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine), ele utiliza sua voz para lembrar que a persistência é essencial e que é hora de reparar essas feridas.

Quem foi Zumbi dos Palmares?

Zumbi foi um líder que representou a resistência escravista por quase um século nos quilombos da atual União dos Palmares, em Alagoas. Sua morte, em 1695, não apagou seu legado, que continua fomentando movimentos como o Dia da Consciência Negra. Saiba mais sobre sua história aqui.

Dia da Consciência Negra no Rio marca incentivo à “economia preta”

Como a resistência quilombola influenciou a sociedade brasileira?

As comunidades quilombolas, reflexo da luta e resistência, ainda hoje clamam por condições dignas de vida. Bia Nunes, da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas, reforça que esses territórios são vitais para a biodiversidade do país.

"As comunidades quilombolas são referência de resistência...", destacou Bia Nunes.

A comunidade quilombola enfrenta quais desafios atuais?

Com pouco mais de 1,3 milhões de quilombolas, o Brasil ainda vê a maioria destas comunidades carecendo de serviços essenciais. O IBGE aponta que grande parte enfrenta problemas com saneamento precário.

O que as favelas contemporâneas têm a ver com os quilombos do passado?

O escritor e ativista Gê Coelho faz um paralelo interessante entre as favelas contemporâneas e os quilombos do passado. Ele sugere que as favelas são uma forma de resistência moderna contra a opressão social e econômica, uma resistência que precisa de universidades que contemplem a verdadeira história de suas gentes.

Dia da Consciência Negra no Rio marca incentivo à “economia preta”

Quem também está engajado na luta racial além da população negra?

Durante o evento, Reimont (PT-MG) enfatizou que a luta contra o racismo precisa ser abraçada por todos, não apenas pelos negros. É um convite à solidariedade, a entender que a questão é humana e universal.

O que esperar da próxima marcha das mulheres negras?

Rose Cipriano convida a todos para a Segunda Marcha Nacional das Mulheres Negras, em Brasília, ressaltando que a representatividade ainda é uma luta constante. Nascida em 2015, a marcha pretende reunir mais de um milhão de pessoas que exigem reparação e igualdade.

Dia da Consciência Negra no Rio marca incentivo à “economia preta”

Qual a importância do cortejo Tia Ciata nas comemorações do Dia da Consciência Negra?

Cercando o busto de Zumbi, o cortejo de Tia Ciata lembra a todos a profundidade das raízes afro-brasileiras, com celebrações que vão do samba ao maracatu, ressoando a herança e a mistura cultural que este dia simboliza.

Como é lembrada a conexão Brasil-Angola durante o evento?

Novembro, mês de luta e resistência, ressoa intensamente entre Angola e Brasil, como lembrou o cônsul Mateus de Sá Miranda Neto, destacando a luta angolana por independência como um eco da busca por liberdade e reparação brasileiras.



Com informações da Agência Brasil

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