No coração de Brasília, em meio às comemorações do feriado da Consciência Negra, um evento importante para as Mulheres Negras Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Intersexo (LBTI) está em pleno andamento. Este grupo está finalizando um diagnóstico essencial para destacar as necessidades e desafios que enfrentam, juntamente com um olhar crítico sobre as políticas públicas brasileiras que pretendem apoiá-las. Com um chamado à ação velado, será que você está ciente de como esses temas afetam o dia a dia dessas mulheres?
Com a Marcha de Mulheres Negras agendada para o dia 25, a ideia é mais que uma simples reunião - é um esforço coordenado para lançar luz sobre questões urgentes e buscar mudanças significativas. Amanda Santos, psicóloga e coordenadora do Comitê Nacional LBTI, é a força motriz por trás desse encontro, almejando um futuro mais inclusivo e justo para as mulheres negras.
Como é organizado o diagnóstico?
"Temos em mãos um relatório nacional abrangente", afirma Amanda, "que cobre áreas fundamentais como saúde, segurança, comunicação, direitos familiares, arte, cultura e moradia." Estes são os pilares que sustentam a sobrevivência digna, mas que muitas vezes deixam a desejar devido a políticas públicas que ignoram ou distorcem a realidade dessas minorias.
Julgamentos e legislações que não reconhecem a diversidade são obstáculos reais. Esse processo construído de exclusão, defendem, é a manifestação da LGBTfobia ao limitar o acesso a direitos.
E quais são os desafios enfrentados pelas mulheres LBTI?
A ativista expõe, por exemplo, como os direitos de casais homoafetivos às vezes ficam em segundo plano, onde decisões médicas críticas podem ser vetadas para a parceira em favor da estrutura familiar biológica tradicionalmente reconhecida. Ainda existem barreiras para o reconhecimento do nome social em entidades de saúde pública e privada, uma realidade inaceitável que Amanda acredita que precisa ser urgentemente criminalizada.
Quais as lições e expectativas para o futuro?
Com a presença inspiradora da fundadora da Rede Nacional de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Negras, Heliana Hemetério, a discussão ganha ainda mais relevância. Heliana, que também carrega a bagagem de experienciar em primeira mão muitas das dificuldades enfrentadas por esses grupos, enfatiza a importância simbólica e prática de transformar o Dia da Consciência Negra em um momento de reflexão e ação.
Ela destaca: "[O feriado nacional] reconhece a existência de 54% da população brasileira como negra, instigando uma reparação mais justa." Heliana sublinha que isso permite recontar a história com uma nova perspectiva, reconhecendo o impacto econômico e social que moldou o Brasil pós-abolição.
Essa jornada de reparação e reconhecimento não é apenas sobre justiça, mas sobre desenhar um caminho novo para as gerações futuras, cuja força reside na solidariedade e visibilidade conquistada através dessas ações coletivas.
Com informações da Agência Brasil