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BRASIL

COP30: mulheres negras debatem racismo ambiental e justiça climática

O Dia da Consciência Negra, celebrado na última quinta-feira (20), foi marcado por importantes debates na COP30 sobre as intersecções entre mudanças climáticas e as populações afrodescendentes. Em um ambiente repleto de discussões urgentes, ganharam desta

20/11/2025

20/11/2025

O Dia da Consciência Negra, celebrado na última quinta-feira (20), foi marcado por importantes debates na COP30 sobre as intersecções entre mudanças climáticas e as populações afrodescendentes. Em um ambiente repleto de discussões urgentes, ganharam destaque os impactos que essas mudanças têm sobre comunidades marginalizadas, especialmente mulheres e meninas afrodescendentes.

Na Zona Azul em Belém, a mesa redonda "Rumo a uma Ação Climática Centrada nas Pessoas: Reconhecendo o Papel de Mulheres e Meninas Afrodescendentes" trouxe à tona a falta de reconhecimento deste grupo no debate sobre justiça climática. A secretária-executiva do Ministério da Igualdade Racial, Raquel Barros, destacou que essas mulheres ainda não alcançaram justiça e são desproporcionalmente impactadas por um modelo de desenvolvimento desigual.

"Essas mulheres e meninas não alcançaram a justiça e são as que sofrem os impactos desproporcionais de um modelo de desenvolvimento extremamente desigual. Nós precisamos enfrentar essas dinâmicas que submetem as mulheres e meninas afrodescentes a diversos tipos de violência em decorrência dos desafios climáticos porque enfrentar essas violências é valorizar o papel que essas mulheres têm desenvolvido de maneira central para enfrentar o racismo ambiental".

Como o racismo ambiental afeta a crise climática?

A jovem campeã de juventude da COP30, Marcele Oliveira, destacou o racismo ambiental como um aspecto crucial a ser enfrentado na crise climática. Em suas palavras, uma ação climática centrada nas pessoas deve priorizar a dignidade, memória e identidade, e esse dia da consciência negra deve ser um lembrete dessa interseção vital.

"Aqui na COP30, a gente precisa lembrar que ação climática centrada nas pessoas significa que ação climática centrada na dignidade, na memória, na identidade e na justiça. E nesse dia da consciência negra que esta COP seja também o momento em que o mundo reconhece que enfrentar a mudança do clima é inseparável de enfrentar o racismo ambiental e enfrentar a desigualdade."

Por que as mulheres negras são fundamentais na solução dos problemas climáticos?

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reforçou a evidência de que mulheres negras, indígenas e periféricas são as mais afetadas por desastres naturais decorrentes do racismo ambiental. No entanto, ela também salientou que essas mulheres carregam em si a chave para soluções efetivas.

"Elas são as guardiãs das soluções e nós estamos vendo isso muito bem aqui nessa COP. São elas que lideram projetos incríveis e que elas são capazes de produzir, de fazer e de realizar. Como as hortas comunitárias, as cozinhas comunitárias ou solidárias, os bancos de sementes, sistemas de alerta, redes de cuidado e estratégias de adaptação que mantêm a vida funcionando quando as instituições falham. Nas periferias urbanas e nas comunidades tradicionais são as mulheres negras que preservam a água, o alimento, a saúde e a espiritualidade dos territórios."

Este importante debate na COP30 acontece no contexto da Segunda Década da ONU para Pessoas de Ascendência Africana, que se estenderá de 2025 a 2034. O momento não poderia ser mais oportuno para aumentar a conscientização e avançar rumo a soluções que coloquem essas comunidades no centro das discussões climáticas.



Com informações da Agência Brasil

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