Se você estava em São Paulo no recente Dia da Consciência Negra, deve ter percebido algo especial acontecendo pelas ruas. Há 22 anos, a Marcha da Consciência Negra colore a Avenida Paulista, iniciando em frente ao imponente Masp, o Museu de Arte de São Paulo. Este evento é mais do que uma simples caminhada; é uma poderosa demonstração de história, cultura e luta pela igualdade racial no Brasil.
Este ano, a marcha trouxe homenagens a figuras históricas como Zumbi dos Palmares e Dandara, uma lembrança vibrante da resistência contra a escravidão. Este mesmo ato de rua faz eco à marcha de 1995, que marcou os 300 anos do martírio de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. O evento também se concentra em pautas atuais e cruciais, como a PEC 27, que propõe um fundo de reparação econômica e a promoção da igualdade racial.
Como a marcha dá voz à resistência?
Movimentos sociais diversos se juntam nesse ato simbólico, trazendo à tona questões ainda urgentes. Dinha Batista, uma ativa participante do Movimento Negro na zona da mata mineira, sublinha a luta contínua por educação e saúde para a comunidade negra: "Ainda continua sendo a luta pela educação, pela saúde do povo negro, como está precisando, né? Já avançamos bastante, mas precisa melhorar e muito, ainda."
Por que o apoio de todos é vital?
Terezimar Alves Sousa, uma presença constante na marcha, faz um apelo à sociedade para que todos, inclusive brancos, se engajem na luta antirracista: "Porque o racismo foi criado pela população branca, e a estrutura é mantida pelo poder branco. Então, é uma luta dos negros, mas também dessa nossa sociedade." Sua voz ressoa a ideia de que apenas uma mobilização conjunta pode trazer mudanças substanciais.
Qual é a herança das manifestações passadas?
Trinta anos após a histórica manifestação de 1995, a marcha exalta a cultura afro-brasileira e a herança dos quilombolas, reafirmando a necessidade de combater o racismo em todas as suas formas. Juliana Souza, do terreiro Casa de Oyá, destaca o papel vital dos terreiros na preservação da cultura e ancestralidade africana: "A nossa luta é para que a gente consiga conviver em paz, nesse país que é extremamente laico e cuja a maioria é preta."
O clímax da marcha se deu em frente às escadarias do Theatro Municipal, local emblemático onde, em 1978, foi fundado o Movimento Negro Unificado, em resistência ao racismo e à violência policial. Essa conexão com o passado reforça que a luta pela igualdade racial é contínua e necessária.
Com informações da Agência Brasil