Nove em cada dez brasileiras já enfrentaram alguma forma de violência ao tentar aproveitar um momento de lazer à noite. E o pior: a maioria desses incidentes tem um teor sexual, como cantadas desagradáveis, importunação e assédio. Imagine sair de casa com um sorriso no rosto e a expectativa de um bom momento, mas acabar vivendo o oposto. É o que muitas mulheres relatam.
Para pelo menos 10% dessas mulheres, o simples ato de se deslocar para um local de entretenimento, como bares, restaurantes, ou uma apresentação cultural, já resultou em um pesadelo: o estupro. Este índice é ainda mais alarmante entre mulheres LGBTQIA+, onde o risco praticamente dobra. Você já parou para pensar no que motiva um cenário tão preocupante?
Por que a violência é tão comum no deslocamento noturno das brasileiras?
A sensação de insegurança é palpável, e o relatório recente do Instituto Patrícia Galvão, com apoio do Locomotiva e da Uber, revela que esse medo não é ingênuo. A violência sexual é apenas a ponta do iceberg, e para agravar, fatores como raça e orientação sexual aumentam a intensidade do problema. Praticamente toda mulher que sai à noite teme o perigo iminente.
Quem são as principais vítimas desta violência?
A opressão não é uniforme entre as mulheres. Por exemplo, mulheres negras de pele escura frequentemente enfrentam a forma mais severa de opressão. O relatório destaca que as denuncias de olhares desagradáveis e flertes indesejados são comuns. Entre jovens de 18 a 34 anos, essa realidade se acentua, chegando a envolver 78% delas. Nesse contexto, quanto mais se discute, mais se percebe que a violência não é só sobre o gênero; atinge duramente minorias étnico-raciais.
Você sabe quais outros perigos rondam as noites de lazer?
Além das agressões sexuais, há muitos relatos de roubos e furtos, além do sequestro relâmpago que atinge 34% das mulheres. Outro fato assustador é que quase 24% enfrentam discriminação por razões além da etnia, com a comunidade LGBTQIA+ sendo uma das mais vulneráveis, seus direitos pisoteados em quase metade dos casos relatados.
Quais transportes são mais arriscados para elas?
Os riscos se intensificam para aquelas que precisam caminhar (73%) ou usar o ônibus (53%). Mesmo meios aparentemente mais seguros, como carros particulares e transportes por aplicativo, não ficam isentos de perigo. Não é de admirar que a segurança seja o principal critério ao escolher um meio de transporte.
Vale a pena sair para o lazer?
Infelizmente, 63% das mulheres, incluindo 66% de negras, já desistiram de seus planos por se sentirem inseguras. Não só viveram experiências traumáticas, como também já presenciaram agressões contra outras mulheres, sendo que metade delas encontrou alguma forma de ajudar. Como você agiria nessa situação?
O que fazer se você ou alguém que você conhece for vítima?
Muitas mulheres encontraram apoio entre conhecidos ou funcionários dos estabelecimentos após vivenciarem o trauma. Contudo, menos de um quinto das vítimas optaram por relatar o ocorrido à polícia. Equiparada a este número, ainda há aquelas que procuram por assistência na Central de Atendimento à Mulher.
Quais são as medidas preventivas que as brasileiras estão tomando?
Prevenir ainda parece ser mais eficaz que remediar. Por isso, brasileiras continuam adotando medidas de segurança pessoal, como informar amigos de seus destinos e horários, evitando lugares perigosos, e buscando sempre pela companhia de alguém conhecido. Você também evita usar certas roupas ou carrega uma peça extra para se proteger?
Os dados alarmantes foram coletados através de entrevistas com 1.200 mulheres, entre 18 e 59 anos, realizadas em setembro. É hora de refletir: até quando essa realidade será aceitável?
Com informações da Agência Brasil