Márcia Justino Barreto Bispo, uma costureira e ativista, se preparava para embarcar em uma jornada de 22 horas de ônibus, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, rumo a Brasília. Na manhã da última segunda-feira (24), ela representava milhares de outras mulheres ao aderir à Marcha Nacional das Mulheres Negras, que ocorreu no dia seguinte, terça-feira (25). Esta iniciativa visava chamar a atenção para as lutas e demandas das mulheres negras no Brasil.
No total, as organizadoras previam que cerca de 30 mil mulheres do estado do Rio de Janeiro se juntariam à manifestação na capital do país. A expectativa era grande, pois participantes de todas as regiões do Brasil eram esperadas para compor essa marcha significativa.
Por que essa marcha é tão importante?
A marcha representa uma poderosa reafirmação das dificuldades vividas pelas mulheres negras, segundo a assistente social Irinéia Olinda de Jesus, de 72 anos, e membro da Secretaria de Combate ao Racismo do PT. Ela ressalta como essas mulheres ainda lidam com condições subalternas, decorrência de um passado de escravização e fragmentação familiar, enfatizando a necessidade de manter a luta por igualdade viva.
Quem são as vozes dessa luta?
Márcia, ao refletir sobre sua motivação, diz: "O meu sentimento de mulher preta é de que eu preciso dessa luta. Precisamos ser vistas e lembradas para ter mais oportunidades de trabalho, com mais mulheres pretas na política, nos estudos. A mulher preta é o útero do país. Parimos essa população, junto com as mulheres indígenas e as europeias. Precisamos dessa reparação histórica".
Esse sentimento é ecoado por Íris de Oliveira Thomaz, de 64 anos, que compartilha seu compromisso não apenas por si, mas pelos seus netos. "Estou lutando pelo que meus antepassados não puderam fazer. Estou representando também meus netos para que eles tenham condições melhores no nosso país para acabar com esse racismo em relação à nossa cor", desabafa.
Com informações da Agência Brasil