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BRASIL

Mais de 70% das agressões contra mulheres têm testemunhas, diz estudo

Cerca de 3,7 milhões de mulheres no Brasil vivenciaram episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, conforme revela uma pesquisa de abrangência nacional. Este dado alarmante destaca não apenas a quantidade de vítimas, mas também um problema prof

24/11/2025

24/11/2025

Cerca de 3,7 milhões de mulheres no Brasil vivenciaram episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, conforme revela uma pesquisa de abrangência nacional. Este dado alarmante destaca não apenas a quantidade de vítimas, mas também um problema profundo que persiste no país. Um dado ainda mais preocupante: 71% dessas agressões foram testemunhadas por outras pessoas, e em 70% desses casos, havia crianças presentes, totalizando cerca de 1,94 milhões de agressões presenciadas por menores. O que mais choca é que, em 40% das situações com testemunhas, a vítima não recebeu qualquer ajuda.

Os dados atualizam o Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma plataforma crucial na luta contra a violência de gênero, mantida por instituições como o Observatório da Mulher contra a Violência e o Instituto Natura. Além de identificar o problema, essas informações são fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes de enfrentamento.

Por que tantos casos de violência são presenciados e ninguém ajuda?

A pesquisa, pela primeira vez, investigou a presença de testemunhas durante as agressões, revelando uma estatística perturbadora: 71% das mulheres são agredidas na presença de outras pessoas. O coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado, Marcos Ruben de Oliveira, explica que esse dado mostra que a violência doméstica atinge não só a vítima direta, mas também testemunhas, como crianças, perpetuando um ciclo de violência.

"Essa foi a primeira vez em que a pesquisa investigou a presença de outras pessoas no momento da agressão. O fato de 71% das mulheres serem agredidas na frente de outras pessoas, e, dentre esses casos, 7 em cada 10 serem presenciados por, pelo menos, uma criança, mostra que o ciclo de violência afeta muitas outras pessoas além da mulher agredida", diz Marcos Ruben de Oliveira.

Como as mulheres estão reagindo à violência?

Diante da violência, 58% das mulheres recorrem à família para buscar apoio, seguidas por 53% que buscam amparo na igreja e 52% que contam com amigos. No entanto, apenas 28% das vítimas registram denúncia em Delegacias da Mulher, e 11% acionam o Ligue 180. Esse comportamento indica que, na maioria dos casos, a violência é tratada em esferas privadas.

"Os números são uma fotografia da realidade do país, em que a maior parte dos casos de violência doméstica ainda é tratado na esfera privada. É essencial que quem acolhe, seja um familiar, uma liderança religiosa ou uma amiga, saiba orientar com clareza sobre os caminhos e órgãos responsáveis pelo atendimento, garantindo que essa mulher se sinta segura para buscar proteção e exercer seus direitos”, afirmou Beatriz Accioly, do Instituto Natura.

O que a Lei Maria da Penha significa para essas mulheres?

A pesquisa também revela que 67% das mulheres conhecem pouco a Lei Maria da Penha, e 11% desconhecem completamente seu conteúdo. Essa desinformação é particularmente alta entre mulheres com menor renda e escolaridade. Apesar desse desconhecimento, 75% das mulheres acreditam que a lei oferece proteção contra a violência de gênero.

Quais são as instituições de apoio mais conhecidas?

Entre as instituições de apoio, as Delegacias da Mulher são as mais reconhecidas, com 93% das entrevistadas cientes de sua função. Seguem-se as Defensorias Públicas, e os Centros de Referência de Assistência Social, entre outros. Esse conhecimento é crucial para garantir que as mulheres saibam onde procurar ajuda e proteção.



Com informações da Agência Brasil

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