Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, não conteve a emoção ao relembrar a trajetória de sua irmã, Marielle Franco, em um encontro realizado em Brasília. O evento reuniu ativistas do movimento negro na véspera da Marcha das Mulheres Negras, destacando a importância e o simbolismo de resistir e lutar por justiça. Com as palavras "Hoje eu fico pensando onde ela estaria. Certamente estaria na marcha conosco hoje", Anielle trouxe à tona a memória de Marielle, assassinada em março de 2018, no Rio de Janeiro, refletindo sobre os desafios que perduram para as mulheres negras no Brasil.
O encontro contou com a presença de figuras importantes como a ministra do Meio Ambiente Marina Silva e as deputadas Benedita da Silva e Erika Hilton, fortalecendo o compromisso com a Marcha das Mulheres Negras, marcada para esta terça-feira (25). Anielle reforçou que a marcha tornou-se um símbolo de coletividade e resistência para as mulheres negras em todo o país. "A nossa expectativa é que, de fato, as pessoas nos escutem, escutem o nosso amor, o nosso apelo e a nossa luta", declarou.
Como a marcha homenageia a luta de Marielle Franco?
A ministra Anielle Franco destacou que a presença de mulheres combatendo diariamente diversas formas de opressão é uma homenagem às mulheres que perderam suas vidas pela justiça, incluindo Marielle Franco e mãe Bernadette, uma liderança quilombola assassinada em 2023. O evento serve para lembrar que, enquanto houver injustiça, haverá resistência.
Quais são as demandas da Marcha das Mulheres Negras?
A segurança pública está entre as principais preocupações das mulheres que participam da marcha. Anielle lembrou das 122 mortes ocorridas no Rio de Janeiro durante a Operação Contenção, destacando a dor compartilhada por mães do Complexo do Alemão e da Penha. Além disso, pautas como educação, saúde, cultura e lazer também são reivindicações importantes. "A gente está aqui com mães do Complexo do Alemão e da Penha. E essa dor… só quem passa entende", afirmou.
O que é o racismo ambiental segundo Marina Silva?
No mesmo evento, Marina Silva trouxe à tona o tema do "racismo ambiental", explicando como comunidades negras e indígenas sofrem desproporcionalmente os impactos das mudanças climáticas. "São os que pagam as piores consequências por estarem nos piores espaços para morar e terem as piores condições de infraestrutura", observou. A marcha deverá também levantar discussões sobre a discriminação e o respeito aos direitos sociais garantidos por lei, porém ainda não implementados.
Qual é o impacto das desigualdades no trabalho para mulheres negras?
As desigualdades no campo profissional também foram abordadas. Marina Silva destacou o empreendedorismo feminino, afirmando que mulheres negras não recebem as mesmas oportunidades e suporte. Por outro lado, a realidade de trabalhadoras como a paulistana Pamella de Jesus, operadora de telemarketing e sindicalista, evidencia os desafios diários. "Pelo menos 90% das trabalhadoras são negras. Muitas mães solo como eu", relatou. Ela pontuou a vulnerabilidade no ambiente de trabalho, onde enfrentam assédio moral e sexual, personagens cruciais em suas jornadas de luta.
Entre as vitórias mais recentes da categoria, está a extensão da licença maternidade para 180 dias, o que para Pamella "faz muita diferença".
Com informações da Agência Brasil