Há uma década, um grupo vibrante de mulheres negras do Brasil inteiro se reuniu em Brasília com um propósito claro: lutar por reparação e bem-viver. Agora, em 2025, elas retornam à capital, mais determinadas do que nunca. Entre elas você encontrará militantes, ativistas, professoras, artistas, escritoras e líderes espirituais, todas unidas por um objetivo comum. É uma marcha que ecoa uma revolução silenciosa, onde cada passo é uma declaração de luta e esperança.
"Quando uma mulher negra se move, toda uma nação se move", disse Angela Davis, e essa frase ressoa no coração dessas mulheres que voltam a encarar a longa marcha. Em 2015 elas fizeram história, e agora, no dia 25 deste mês, prometem escrever um novo capítulo. Entre as vozes que se levantam está a da escritora Conceição Evaristo, que nos lembra da resiliência e determinação das mulheres negras brasileiras.
"O que marca é que a gente não desiste", destaca Conceição. Ainda que os desafios sejam grandes, a fé na justiça e na dignidade é maior. Essas mulheres, que ela compara à juventude incansável, continuam a trilhar um caminho construído com coragem e persistência.
Qual o significado da marcha para Conceição Evaristo?
Às vésperas de completar 79 anos, Conceição Evaristo olha para trás e vê uma jornada marcada por resistência. Para ela, marchar não é apenas caminhar — é reivindicar. "Cada passo, cada pé, cada pisada que a gente dá nesse asfalto, reivindica o direito à vida e afirma que temos direito", diz ela. A marcha, para Conceição, é um ato de posse simbólica, de reivindicação do espaço que pertence a essas mulheres por direito.
De onde vêm os passos de resistência?
Se há algo que Conceição Evaristo aprendeu ao longo de sua trajetória é que esses passos vêm de longe e seguem adiante, plantando sementes que darão frutos. Nos primeiros anos de sua militância, lembra-se da angústia de sempre ver as mesmas faces nas reuniões, mas reconhece o impacto daquela persistência. Hoje, ela vê novas gerações dando continuidade ao trabalho iniciado há tanto tempo. Embora muitos talvez vejam apenas dança e músicas, Conceição ressalta que há palavras poderosas escondidas nos movimentos e sons de suas culturas.
Enquanto a marcha continua, fica claro que não é apenas uma caminhada por Brasília; é um movimento que une gerações, um chamado à ação por reparação e bem-viver. Mulheres de todas as idades, de diferentes cantos do mundo, unem-se em prol de um único propósito, e você é convidado a entender a profundidade dessa jornada.
Com informações da Agência Brasil