Milhares de mulheres negras de várias partes do Brasil reúnem-se hoje em Brasília para uma marcha em defesa de seus direitos fundamentais. O evento, que ocupa a capital federal mesmo sob garoa, busca dar visibilidade às pautas urgentes e históricas desta parcela da população.
Desde os primórdios da tarde, às 12h, ativistas percorrem a Esplanada dos Ministérios exigindo justiça, liberdade e saúde. Lindalva Barbosa, por exemplo, uma servidora aposentada de Salvador, marcha há décadas por essa causa vital. "Marchamos há séculos por liberdade, justiça, saúde e vida", enfatiza Lindalva, fazendo eco de uma luta que atravessa gerações.
Por que a marcha das mulheres negras importa?
"Eu vim marchar por reparação e bem viver para as mulheres negras e para todo o Brasil", declara Lindalva, ao canalizar as palavras poderosas da filósofa Angela Davis: "quando as mulheres negras se movimentam, toda a sociedade se movimenta".
A marcha é um momento crucial para fortalecer movimentos que já lutam pelos direitos dessa população. "Eu vim à marcha para, acima de tudo, colher essa energia dessas mulheres", afirma Ana Benedita Costa de Recife, sublinhando a importância da educação e cultura negra.
Como a presença dessas mulheres influencia a sociedade?
Ednamar Almeida, conhecida por sua luta contra a intolerância religiosa, participa ativamente, destacando que "nós, mulheres de terreiro e mulheres negras, sentimos na pele a perseguição, a injustiça, a intolerância, o racismo".
Hellen Gabrielle Cunha Gomes da Silva, uma mulher trans de Brasília, acredita que eventos como a marcha trazem visibilidade para questões essenciais. "Eu vim à marcha para compartilhar com a democracia", ela aponta, sublinhando a importância de participar mais ativamente na política para melhorias sociais.
Qual o significado da segunda marcha das mulheres negras?
Esta edição marca uma década desde a primeira marcha, ocorrida em 2015, onde mais de 100 mil mulheres se uniram em Brasília. Evento esse catalisador para a luta contra o racismo, a violência e o direito ao bem viver, não apenas sobreviver.
Com informações da Agência Brasil