Você pode imaginar a cena de policiais militares armados entrando em uma Escola Municipal de Educação Infantil, em meio a crianças e professores? Foi exatamente isso o que aconteceu em São Paulo, gerando protestos de pais, alunos e representantes da área de educação. O motivo? Um desenho de orixá feito por uma aluna que levou o pai, também policial, a chamar a polícia. Esse incidente revela profundas tensões sobre religião e educação no Brasil.
O caso ganhou repercussão no dia 12 de novembro, após o pai de uma estudante acionar a polícia por conta de um desenho. A cena ganhou novos capítulos com uma série de protestos criticando a atuação dos policiais e exigindo um ambiente escolar mais seguro e respeitoso. "Onde houver intolerância, que haja mais educação", diziam as faixas dos manifestantes.
O que levou ao chamado dos policiais?
A origem do tumulto na Emei Antônio Bento (Butantã) remonta a um exercício escolar: a interpretação de orixás, que está em conformidade com as leis brasileiras que exigem o ensino da história e cultura africana e afrobrasileira. Tudo começou quando o desenho de Iansã feito por uma estudante foi retirado do mural e rasgado pelo pai, ato que desencadeou o protesto dos educadores.
Quais foram as reações dos educadores e organizações?
Os profissionais da educação, juntamente com o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Unidades de Educação Infantil (Sedin), não ficaram calados. Eles orquestraram protestos para exigir a paz nas escolas e lutar contra o preconceito religioso e a violência policial, defendendo uma postura educativa contra o racismo e o machismo.
Como as crianças e pais reagiram à situação?
Muitas crianças, testemunhas indiretas da ação dos policiais, foram impactadas. "Mamãe, por que ele rasgou o desenho e gritou com a professora?" – foi a dúvida levantada por uma das pequenas estudantes, relata Gisele Nery, mãe de uma aluna e conselheira da escola. O objetivo dos pais e mestres sempre foi o diálogo, mas foram ignorados pelo denunciante.
Existe justificativa para a ação policial?
O caso levanta questões sobre a abordagem dos policiais e o significado dos simbolismos para os envolvidos. O Ministério da Igualdade Racial defende que a atividade foi legítima, em acordo com a legislação vigente. Entretanto, a polícia militar instaurou investigação para avaliar a postura dos agentes, usando até mesmo imagens das câmeras corporais como parte do processo.
Qual foi a posição das autoridades educacionais?
Tanto a direção da escola quanto a Secretaria Municipal de Educação esclarecem que o conteúdo pedagógico não segue nenhum tipo de doutrinação religiosa, mas sim um currículo antirracista. A escola reforça que a atividade era parte de um projeto coletivo, mirando ensinar história e cultura afro-brasileira de forma inclusiva e construtiva.
Esse episódio de São Paulo joga luz sobre uma questão complexa e urgente: a necessidade de discutir intolerância religiosa e violência desde a educação básica. O caminho para um futuro mais inclusivo passa, inevitavelmente, por mais respeito, diálogo e informação.
Com informações da Agência Brasil