Uma parte importante da história do Brasil ganha reconhecimento com o tombamento da antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no centro do Rio de Janeiro. O imóvel, uma joia arquitetônica inspirada no estilo eclético francês, é agora um patrimônio histórico protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Mas por que esse prédio tem um significado tão profundo? Não é apenas sua arquitetura imponente que chama atenção. O local carrega memórias dolorosas ligadas à repressão política e tortura em diferentes épocas da história brasileira. Essa dualidade entre beleza e dor torna seu reconhecimento ainda mais emblemático, especialmente no atual contexto político do país.
O que significa o tombamento do Dops para as vítimas?
A transformação do Dops em um memorial às vítimas é o desejo latente de movimentos sociais e do Ministério Público Federal (MPF). O processo de tombamento, iniciado nos anos 2000 pela Associação de Amigos do Museu da Polícia Civil, resistiu ao tempo e à burocracia. Em 2025, finalmente se concretizou, graças à pressão de organizações da sociedade civil e à determinação do MPF. Este é, para muitos, um símbolo da violência estatal que não deve ser esquecido.
Quem foram os personagens históricos ligados ao Dops?
O Dops não foi apenas cenário de horrores, mas também palco de resistência de personagens ilustres como Nise da Silveira, Abdias Nascimento e Olga Benário. Eles, entre outros ativistas, enfrentaram a dureza das ditaduras de Vargas e dos governos militares. O próprio Iphan destaca figuras como Dulce Pandolfi, que dedicaram suas vidas a contar a verdade sobre os eventos vividos nesses períodos sombrios.
O que o tombamento representa no contexto atual?
Este é o primeiro bem reconhecido pelo Iphan como lugar de memória traumática. O historiador José Ricardo Oriá Fernandes, relator do processo, vê nisso uma oportunidade de combater o negacionismo histórico e promover os direitos humanos. Outros locais, como o Doi-Codi e a Casa da Morte, aguardam o mesmo reconhecimento. É uma luta constante para garantir que essas memórias não sejam apagadas.
Como é a arquitetura do Dops?
O edifício do Dops, inicialmente planejado para a Polícia Federal, desponta com um design panóptico que permitia alta vigilância, além de beleza ornamental com detalhes como vitrôs e balaustradas. Apesar de sua relevância histórica, a deterioração tomou conta do local após a capital se mudar para Brasília, colocando em risco as histórias que ele abriga.
Importantes itens culturais, como a Coleção Nosso Sagrado, resgatada do prédio, agora estão em segurança no Museu da República após esforços conjuntos de líderes religiosos e da sociedade.
Por que é importante preservar a memória do Dops?
A recomendação do Iphan é de que o governo federal, juntamente com a sociedade civil, restaure e administre esse patrimônio. Leandro Grass, presidente do órgão, reforça que honrar a memória daqueles que sofreram torturas, perseguições e mortes sob regimes autoritários é essencial para evitar que erros do passado se repitam.
Henrique Vieira, pastor e deputado presente no evento, vê esse ato como um mecanismo crucial para enfrentar a violência do Estado e amadurecer a democracia e os direitos humanos.
Com informações da Agência Brasil