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BRASIL

Crise climática expõe presos a ambientes insalubres, alerta DPU

Você já imaginou como a crise climática pode impactar diretamente lugares que muitas vezes esquecemos, como os presídios? No Brasil, o aumento das temperaturas não só tem afetado o dia a dia das pessoas nas cidades, mas também tem criado condições insalub

27/11/2025

27/11/2025

Você já imaginou como a crise climática pode impactar diretamente lugares que muitas vezes esquecemos, como os presídios? No Brasil, o aumento das temperaturas não só tem afetado o dia a dia das pessoas nas cidades, mas também tem criado condições insalubres horríveis dentro do sistema prisional. Os presídios, já conhecidos por sua superlotação e infraestrutura precária, estão se tornando verdadeiras "caldeiras" de sofrimento humano.

Uma nota técnica da Defensoria Pública da União (DPU) acende um alerta sobre como essa violência térmica é um tipo de tratamento desumano nas prisões brasileiras e propõe caminhos urgentes para reverter essa realidade.

Como a violência térmica impacta os presídios brasileiros?

A violência térmica é definida pela exposição prolongada a temperaturas extremas, prejudicando severamente a saúde física e mental dos presos. A DPU destaca a importância de entender esse conceito para realmente captar o que se passa nos presídios em face da crise climática. O calor e o frio extremos levam os custodiados a enfrentar condições que nossa Constituição proíbe, como tortura e tratamentos degradantes.

“O calor excessivo e o frio intenso comprometem a integridade física e psíquica das pessoas privadas de liberdade”, denuncia a nota técnica.

Insalubridade: O que agrava a situação?

Dentro dos presídios, a situação é intensificada por falta de ventilação, acesso restrito à água potável e espaços inadequados para banho de sol. Isso, aliado à superlotação das celas, intensifica os efeitos danosos da violência térmica.

Superlotação e suas consequências

Os números mostram a gravidade do problema: em 2024, havia 1.386 estabelecimentos prisionais para cerca de 668.570 pessoas, embora a capacidade fosse de apenas 489.991. Com um déficit de mais de 173 mil vagas, a superlotação só piora os efeitos de qualquer adversidade, incluindo a violência térmica.

O Rio de Janeiro lidera a crise?

Com cerca de 46 mil detentos em 24 unidades, o Rio de Janeiro sofre com um déficit projetado que pode ultrapassar 35 mil vagas nos próximos anos. O Ministério Público aponta que o estado não tem fundos — uma cifra de R$ 1,4 bilhão — para criar novas unidades penitenciárias e cumprir ordens do Supremo Tribunal Federal.

“A combinação entre superlotação, insalubridade e ausência de controle térmico nos presídios constitui forma de maus-tratos e de tortura,” afirma a nota, sublinhando a gravidade da situação.

Quais são as soluções propostas?

A DPU sugere medidas para atenuar essas condições, incluindo:

  • Elaboração de cronogramas para perícias térmicas estaduais;
  • Suspensão de obras sem estudo prévio de impacto térmico;
  • Revisão das diretrizes de arquitetura e infraestrutura carcerária;
  • Distribuição de roupas adequadas para o conforto térmico;
  • Implementação de medidas de climatização;
  • Garantia de água potável compatível com o clima local.

Este é um chamado para ação diante de uma realidade que muitas vezes é invisível, mas que afeta vidas todos os dias. A resposta a essa crise está em nossa capacidade de olhar além dos muros e agir com humanidade e justiça para com todos, independente de onde estejam.



Com informações da Agência Brasil

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