O Jardim Botânico do Rio de Janeiro realizou uma descoberta impressionante: uma rara espécie de bromélia, batizada como Wittmackia aurantiolilacina devido às suas inflorescências vibrantes em tons de laranja e lilás. Essa descoberta foi feita por pesquisadores em uma área do Parque Nacional do Alto Cariri, na Bahia, evidenciando a riqueza natural ainda inexplorada da Mata Atlântica. Mas o que esse achado realmente significa? Continue lendo para descobrir todos os detalhes dessa história botânica fascinante.
A identificação da nova espécie foi liderada pelo estudioso Bruno Rezende, curador da coleção de bromélias do Jardim Botânico do Rio. O artigo que descreve essa descoberta foi publicado em novembro no prestigiado periódico Phytotaxa, marcando um momento histórico na pesquisa em taxonomia botânica.
Como essa espécie foi descoberta?
A coleta dessa bromélia única ocorreu em agosto de 2023, durante iniciativas do Centro Nacional de Conservação da Flora. No início, a planta parecia comum, sem flores, mas foi adicionada ao acervo científico do Jardim Botânico e ao Refúgio dos Gravatás, em Teresópolis. Um ano depois, no surpreendente mês de julho de 2024, a bromélia floresceu revelando suas cores distintas, levando Rezende a suspeitar se tratar de uma nova espécie. A partir desse momento, a história da Wittmackia aurantiolilacina começou a se desenrolar.
Nova espécie de bromélia descoberta no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foto - Bruno Rezende/JBRJ
Quais características definem essa bromélia?
Embora as inflorescências laranja e lilás capturassem os olhares, Rezende destaca que são combinações de características como o formato de sépalas e pétalas que definem a espécie. Além desses aspectos, a coloração, que inclusive deu nome à planta, é um diferencial significativo. No Jardim Botânico, apenas um vaso da nova bromélia está presente, demonstrando a exclusividade dessa espécie.
É possível multiplicar essa bromélia rara?
A multiplicação da Wittmackia aurantiolilacina ocorre de forma clonal no bromeliário, permitindo que, caso o aporte nutricional seja adequado, a planta produza dois ou três brotos vegetativos ao ano. Embora o espaço limitado do Jardim Botânico seja um desafio, a prioridade é assegurar a saúde do exemplar, formando uma pequena touceira que resguarda a planta contra pragas e doenças.
Quais são os desafios de conservação?
Conservá-la em seu habitat natural é um desafio, dada a presença de macacos-prego no arboreto do Jardim Botânico que são conhecidos por se alimentarem das bromélias. Além das ameaças naturais, a nova espécie já foi classificada como “criticamente ameaçada de extinção” devido aos impactos do desmatamento, queimadas e mudanças climáticas que assolam a Mata Atlântica.
Fachada do Museu do Meio Ambiente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Esses esforços refletem a importância de proteger uma flora única e cada vez mais rara. Conhecer e estudar as espécies nativas como essa bromélia é crucial para o futuro da conservação das nossas biodiversidades.
Com informações da Agência Brasil