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BRASIL

Mais de 80% das brasileiras têm muito medo de ser estupradas

O crescente temor de violência sexual entre as mulheres brasileiras é um problema alarmante que persiste e parece não dar sinais de recuar. Em 2020, 78% das brasileiras entrevistadas relataram ter "muito medo" de um possível estupro. Este percentual subiu

02/03/2026

02/03/2026

O crescente temor de violência sexual entre as mulheres brasileiras é um problema alarmante que persiste e parece não dar sinais de recuar. Em 2020, 78% das brasileiras entrevistadas relataram ter "muito medo" de um possível estupro. Este percentual subiu para 80% em 2022 e, em 2025, atingiu 82%. Diante de tais números, a pergunta inevitável é: por que o medo só aumenta?

A pesquisa que revelou esses dados preocupantes é fruto de uma colaboração entre o Instituto Locomotiva, especialista em pesquisas estratégicas, e a Patrícia Galvão, uma organização dedicada à defesa dos direitos das mulheres e ao combate à violência de gênero. Os resultados são claros e brutais: 97% das mulheres entrevistadas convivem com o temor constante de serem vítimas de estupro.

Quem tem mais medo entre as mulheres?

O medo não é uniforme entre todas as faixas etárias. Entre as jovens de 16 a 24 anos, o percentual das que reportam "muito medo" chega a 87%. O índice é ainda mais alto entre as mulheres negras, alcançando 88%. Esses dados refletem uma realidade especialmente sombria para os grupos mais vulneráveis, que enfrentam uma ameaça mais acentuada em seu cotidiano.

Onde ocorre a maioria dos abusos?

A pesquisa não apenas destaca o medo, mas traz à tona estatísticas chocantes sobre onde os abusos ocorrem. Meninas com até 13 anos frequentemente sofrem violência em seus próprios lares, com 72% das sobreviventes de abuso infantil relatando que o agressor era um familiar. Para as meninas de 14 anos ou mais, 76% foram abusadas por alguém conhecido e 59% dentro de casa. Esses números expõem uma dura realidade sobre a vulnerabilidade e a maneira insidiosa como os delitos acontecem.

Por que o silêncio predomina entre as vítimas?

Outro aspecto desolador é a subnotificação, com 99% dos entrevistados reconhecendo que a maioria das vítimas não reporta o estupro. Medo, vergonha e ameaças são os principais fatores que levam ao silêncio, perpetuando o ciclo de violência e dificultando ainda mais a busca por justiça e segurança.

Ouviram-se 1,2 mil pessoas de diversas regiões do Brasil. Os dados refletem um cenário onde o medo é uma constante, e o caminho para a transformação ainda está longe de ser percorrido. Para mudar essa realidade, é insubstituível conscientizar, educar e lutar coletivamente para que estes números alarmantes se tornem uma página virada na história das mulheres brasileiras.

imagem representativa estudo violência sexual

imagem representativa da violência doméstica

Com informações da Agência Brasil

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