O Brasil enfrenta um índice alarmante de feminicídio, com recordes sendo registrados em 2025 e 2024, totalizando 1.518 e 1.458 vítimas respectivamente. Esses dados preocupantes são do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Além disso, uma pesquisa realizada pelo Instituto Patricia Galvão e Instituto Locomotiva revelou que o medo entre as mulheres aumentou. Em 2025, 82% das mulheres relataram ter "muito medo de ser vítimas de um estupro", um aumento considerável em comparação com 2020, quando 78% das mulheres declararam o mesmo receio. Essa informação foi divulgada em primeira mão pela Agência Brasil.
Outra pesquisa significativa, a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, destacou que quase metade das mulheres brasileiras não se sente respeitada, seja em casa, no trabalho ou nas ruas. Essa sensação de desrespeito acaba alimentando o ciclo de violência.
Por que a violência contra a mulher continua aumentando?
Situações de violência física, psicológica, patrimonial e sexual continuam a assombrar a vida de muitas mulheres no Brasil, com a Lei Maria da Penha sendo um dos instrumentos legais de defesa. Mulheres como Solange Pires Revoredo, que foi vítima de violência doméstica durante 15 anos, mostram os impactos profundos e duradouros dessas agressões. Solange revelou como isso afetou não só a sua vida, mas também de seus filhos e familiares.
“O mais novo teve crise de ansiedade e o mais velho teve enurese noturna até os 17 anos, que é o xixi na cama, mas hoje eles estão bem, fazendo a devida terapia. De alguma forma também atingiu o resto da minha família, né? Minhas irmãs, porque indiretamente presenciaram algumas violências, né? E isso acaba comprometendo, o psicológico das pessoas que presenciam”.
Como a Lei Maria da Penha e o poder de iniciativas comunitárias ajudam?
Após se proteger com a Lei Maria da Penha, Solange fundou o Grupo de Apoio à Mulher (GRAM), que fornece suporte psicológico, jurídico e social para mulheres vítimas de abuso. Essa iniciativa começou com um simples site com informações e rapidamente se transformou em uma rede de apoio crucial, começando com um grupo de cinco mulheres que até hoje mantém contato e oferecem suporte umas às outras.
“Daí começou as mulheres a pedirem ajuda na página, e aí a gente criou o primeiro grupo, que foi de cinco pessoas, que eu tenho contato com elas até hoje, que foram cinco mulheres vítimas de violência e quem já tinha passado por aquela situação passava experiência para outra”.
Qual é o impacto da masculinidade tóxica?
A violência contra a mulher está relacionada à masculinidade tóxica, um legado que resiste apesar do progresso dos movimentos feministas. Segundo Manoela Miklos, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, muitos homens ainda tentam clamar pelos privilégios de outrora ao se sentirem ameaçados pelas conquistas femininas.
“Existe uma coisa que é com efeito rebote ao movimento feminista, ao movimento de mulheres. Existe uma reação de um tipo de masculinidade que deseja de volta os seus privilégios e que fica desnorteado frente às conquistas das mulheres. Homens que desejam o status quo ao invés da transformação social”.
Como denunciar a violência contra a mulher?
As mulheres vítimas de violência têm à disposição serviços essenciais para denúncia e apoio: Ligue 190 para a Polícia Militar, Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180, Disque Direitos Humanos: Disque 100, além das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
*Com sonoplastia de Jailton Sodré e produção de Dayana Vitor.
Com informações da Agência Brasil