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BRASIL

Documentário resgata memória do Cais do Valongo

Você já ouviu falar do Cais do Valongo? Localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro, esse lugar carrega uma parte dolorida e, por muito tempo, esquecida da nossa história. Entre 1775 e 1830, foi o maior ponto de chegada de africanos escravizados nas Am

12/03/2026

12/03/2026

Você já ouviu falar do Cais do Valongo? Localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro, esse lugar carrega uma parte dolorida e, por muito tempo, esquecida da nossa história. Entre 1775 e 1830, foi o maior ponto de chegada de africanos escravizados nas Américas, marcando profundamente o passado brasileiro.

Mas como essa história está sendo lembrada hoje? O documentário "Representando o Passado Morto-Vivo da Escravidão: Contestação e Coprodução Global, Nacional e Local" mergulha fundo nessa questão. Criado por uma equipe internacional em colaboração com a Universidade Federal Fluminense e outras entidades, o filme busca explorar o impacto social e cultural do tráfico de escravos e a resistência do povo negro. Quem lidera esse projeto é a professora Ynaê Lopes dos Santos, do departamento de História da UFF.

Qual é o propósito deste documentário impressionante?

A professora Ynaê Lopes dos Santos explica que o projeto procura entender como a escravidão e o tráfico de africanos escravizados são lembrados ou esquecidos em diferentes partes do mundo. O documentário, financiado por entidades internacionais, pretende revelar as complexas engrenagens do racismo através da análise da escravidão, mas vista pela ótica de pessoas negras.

"Um dos grandes diferenciais desse documentário é que ele é produzido e pensado a partir de uma perspectiva de pessoas negras. Então, as entrevistas que nós fizemos, a forma como o roteiro foi estruturado, tudo isso passa por um crivo de uma intelectualidade e de um movimento social negro que entende que a história da escravidão não é só uma história de dor, mas é, sobretudo, uma história de resistência".

Como a escravidão ainda ecoa na sociedade atual?

O longa propõe mostrar que a escravidão continua "morta-viva" em diversos aspectos das nossas vidas, segundo Ynaê. Isso se reflete no racismo estrutural, na desigualdade econômica e na nossa relação com a memória desse período histórico. É uma análise que nos faz repensar como encaramos o passado, salientando a resistência e a luta contínua das comunidades negras.

"A gente quer mostrar como que o passado da escravidão ele continua 'morto-vivo', como diz o título do documentário, nas nossas estruturas sociais, no racismo recreativo, na desigualdade econômica e, principalmente, na forma como a gente lida com a memória desse período".

Qual é o impacto atual do passado escravista no Brasil?

Infelizmente, o passado ainda se reflete em práticas contemporâneas. Só no ano passado, o Brasil registrou mais de 4.500 casos de trabalhadores em condições análogas à escravidão. Para a professora Ynaê, uma estratégia eficaz para combater essa exploração é revisitar as memórias do passado, desta vez dando voz ao protagonismo negro. É essa a essência do documentário, que tem previsão de lançamento para 2028.

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Com informações da Agência Brasil

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