Você já imaginou como mudanças nos títulos do governo podem afetar a dívida pública brasileira? Em setembro, a Dívida Pública Federal (DPF) passou por uma suave queda, indo de R$ 8,145 trilhões em agosto para R$ 8,122 trilhões. Esses números, divulgados recentemente pelo Tesouro Nacional, mostram como o vencimento de títulos indexados aos juros impactou nesse resultado.
Curiosamente, foi em setembro que o indicador da dívida pública ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 8 trilhões. Com base no Plano Anual de Financiamento (PAF), o estoque projetado para 2025 deve situar-se entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. Mas o que isso realmente significa para a economia e o bolso do brasileiro?
Por que a dívida pública caiu em setembro?
A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), composta por títulos emitidos no mercado financeiro doméstico, experimentou uma redução de 0,31%, passando de R$ 7,845 trilhões para R$ 7,82 trilhões. Essa diminuição decorreu do alto volume de resgates, que excederam as emissões de títulos, principalmente os atrelados à Selic. A diferença entre emissões e resgates, junto com a apropriação de juros, refletiu-se na queda da DPMFi.
Mesmo com a taxa Selic em 15% ao ano, pressionando o endividamento, o Tesouro teve de resgatar mais títulos do que emitiu, cerca de R$ 100,06 bilhões a mais, ajustando assim o volume de dívida a partir dos juros acumulados.
Como a dívida externa foi afetada pela variação cambial?
Outro componente da DPF é a Dívida Pública Federal externa (DPFe), que teve um ligeiro aumento de 0,43%, saindo de R$ 300,23 bilhões para R$ 301,53 bilhões, influenciada principalmente pela valorização do dólar em setembro, aliviada após as tensões do tarifaço de Donald Trump, que fizeram o dólar baixar.
O que é o colchão da dívida?
Em momentos de incertezas, o governo se apoia no colchão da dívida pública, uma reserva estratégica para gerenciar vencimentos concentrados. Em setembro, essa reserva caiu de R$ 1,13 trilhão para R$ 1,03 trilhão, resultado do elevado volume de resgates em relação às emissões. Esse colchão hoje cobre 9,33 meses de vencimentos da dívida, reforçando nossa segurança fiscal.
Como se deu a composição da dívida em setembro?
Variações na composição da dívida indicam como o governo se financia:
- Títulos vinculados à Selic: 47,47% (de 49,29%)
- Títulos corrigidos pela inflação: 26,81% (de 26,10%)
- Títulos prefixados: 22,02% (de 20,95%)
- Títulos atrelados ao câmbio: 3,70% (de 3,67%)
Esses números refletem a movimentação estratégica do governo para balancear a dívida em relação ao mercado e à economia.
Quem são os principais detentores da dívida pública?
Ainda que a participação do mercado financeiro continue significativa, os detentores da dívida continuam sendo diversificados:
- Instituições financeiras: 32,53%
- Fundos de pensão: 23,07%
- Fundos de investimentos: 20,87%
- Não-residentes: 10,19%
- Outros grupos: 13,3%
O aumento na participação dos investidores internacionais reflete um cenário financeiro menos tenso, que ajuda a diversificar nossa base de crédito.
Quer entender mais sobre como essa dinâmica econômica influencia diretamente a sua vida e o cenário macroeconômico do Brasil? Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp e tenha essas informações sempre à mão.
Com informações da Agência Brasil