Você sabia que o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) passou por mudanças recentes? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que está mexendo com a rotina dos pequenos e médios empresários do setor de alimentação. Quem trabalha com esse sistema de vale-alimentação e refeição agora enfrenta a expectativa de uma modernização que promete limitar as taxas cobradas e aumentar a competitividade. Será que isso vai impactar os preços no seu restaurante favorito?
No Rio de Janeiro, muitos empresários já manifestaram suas opiniões sobre a nova medida. Algumas taxas chegavam a representar até 9% das vendas nesses estabelecimentos, mas com o novo decreto, os comerciantes podem esperar uma redução desse custo. No entanto, há quem veja a novidade com cautela, temendo que isso apenas leve a novas formas de cobrança pelas operadoras. Vamos entender mais sobre esse cenário?
Como os empresários estão reagindo?
No Sol Gastronomia, Edmílson Martins Rocha paga atualmente 6% de taxa sobre as vendas feitas com vale-refeição. Ele compartilha que a redução nas taxas poderia ser vantajosa, desde que realmente aconteça.
"Se a gente pagar menos é bem melhor, né? Aí, pode diminuir o preço da comida. Bom para o cliente é bom para a gente. Aqui a maioria paga com vale-refeição. Uma taxa grande, aí prejudica [o restaurante]." - Edmílson Martins Rocha
Edmilson Rocha, do restaurante Sol Gastronomia, diz que maioria paga com vale-refeição - Foto Fernando Frazão/Agência Brasil
Nova mudança, nova preocupação?
Weksson Araújo, da doceria Gulosinho, optou por apenas três bandeiras de vale-refeição, achando outras opções caras.
"Tem uma bandeira que a gente nem pegou porque, além de a taxa ser alta, cobra uma taxa de adesão que a gente paga para poder receber daquela bandeira. Tanto que a gente não aderiu a todas, a gente aderiu somente a três bandeiras mais populares." - Weksson Araújo
Weksson Araújo atende cliente na Doceria Gulosinho, na Lapa - Foto Fernando Frazão/Agência Brasil
O que dizem outras vozes do setor?
Para Sérvulo Júnior, proprietário da Padaria Araucária, os novos limites impostos podem ser uma excelente notícia, mas ele também observa que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas.
“A redução até 3,6% e a entrada de novos players são maravilhosas. Vamos ver se vai ser isso mesmo. Se pagar 2,8%, já seria excelente.” - Sérvulo Júnior
Sérvulo Júnior, gerente da padaria Araucária, fala sobre o novo decreto - Foto Fernando Frazão/Agência Brasil
Setor dividido com as novas regras?
Nem todos estão otimistas. Nei Raimundo Duarte, à frente do Restaurante Salú, mantém-se cético. Ele aponta a falta de transparência das operadoras quanto às taxas, temendo pela mudança dessas cobranças com o tempo.
Associações em debate: quem está a favor ou contra?
Enquanto a ABBT, representante das principais operadoras, critica o decreto, questionando a eficácia das mudanças, a Abras vê as mudanças como positivas, proporcionando fôlego novo ao sistema do PAT.
Modernização pode trazer economia?
A expectativa com estas modificações é garantir mais transparência e competitividade no sistema de vales. Com a interoperabilidade das bandeiras e limites de taxas, o governo almeja uma economia de até R$ 7,9 bilhões, com repasses ao consumidor final.
Salão do Restaurante Sol Gastronomia, na Lapa - Foto Fernando Frazão/Agência Brasil
Com isso, será curioso acompanhar como essa modernização do PAT poderá impactar não só os empresários, mas também toda a dinâmica de consumo e economia do país.
Com informações da Agência Brasil