Minérios críticos no centro das atenções: O G20 e o beneficiamento na origem
Imagine um futuro onde as grandes economias do mundo se comprometem a valorizar e beneficiar os recursos minerais em seus próprios territórios. Essa ideia ganhou força no G20, com um texto que promete incentivar exatamente isso. Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, destacou a importância deste momento histórico para os países em desenvolvimento.
O palco dessa discussão será a Cúpula de Líderes do G20, marcada para acontecer em Joanesburgo, na África do Sul, onde o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva estará presente. Este ano, a África do Sul lidera a presidência do bloco, uma plataforma ideal para dar voz às aspirações dessas nações. Em uma coletiva de imprensa em Brasília, as expectativas para o evento já estavam altas.
Por que o beneficiamento de minerais é crucial?
Você já parou para pensar em como a origem do beneficiamento de minerais pode impactar uma nação? A discussão no G20 sobre os "minerais críticos" não é apenas sobre extração, mas sobre agregar valor nos países de origem. "É a primeira vez que se consegue um texto sobre isso", revela Gough, adicionando que essa abordagem favorece principalmente os países que buscam transformar seus recursos em motores de desenvolvimento econômico e estratégico.
Elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras são fundamentais para tecnologias modernas, de baterias de veículos elétricos a painéis solares. O Brasil, por exemplo, possui 10% das reservas mundiais desses minerais. Porém, essa procura por minerais também levanta questões sobre conflitos e crises climáticas em potencial.
O que podemos esperar da declaração de líderes do G20?
O G20, criado em 1999, evoluiu de um fórum de ministros de finanças e bancos centrais para um evento de chefes de Estado, ampliando assim sua relevância política. Na próxima cúpula, discutirá um documento essencial: a declaração de líderes do G20. Ela já enfrenta questões sobre a taxação dos super-ricos e dará um pequeno grande passo pela simplificação no debate de questões políticas globais.
Conflitos sobre a ausência dos Estados Unidos e possíveis simplificações nos discursos sobre guerras e direitos internacionais podem influenciar os resultados. Contudo, Gough reafirma a determinação do Brasil e da África do Sul em garantir que a declaração seja aprovada, reforçando princípios de cooperação global.
Agenda de impacto: Lula entre encontros bilaterais e o G20
Antes de mergulhar na cúpula, o presidente Lula tem um mapa de compromissos bilaterais, incluindo um significativo encontro com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. No dia em que a política internacional toma o centro do palco, o diálogo trilateral entre Índia, Brasil e África do Sul (Ibas) busca fortalecer laços de cooperação no Sul Global.
Após a intensa jornada em Joanesburgo, Lula segue para Maputo, onde celebra os 50 anos de relações diplomáticas com Moçambique, reafirmando laços históricos e promovendo investimentos.
O farol do Brasil na África: Moçambique e além
Na sequência de visitas e cooperações pela África, Lula segue firme em sua agenda de reforçar os laços com os países africanos. Na conferência de imprensa, Carlos Sérgio Sobral Duarte, secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty, enfatizou essa prioridade na política externa brasileira.
Durante a visita em Moçambique, acordos de cooperação em agricultura, saúde e educação serão revisitados, aumentando o intercâmbio comercial, que já chegou a US$ 40,5 milhões. Além disso, um fórum empresarial visa explorar novas parcerias econômicas.
Ao finalizar a viagem, um encontro histórico com o presidente moçambicano pode selar novos capítulos de cooperação e inovação, com Lula recebendo honrarias e fortalecendo pontes entre o Brasil e a África.
Com informações da Agência Brasil