Uma tragédia guardada na memória e o clamor por justiça. Essa é a realidade enfrentada pelas famílias dos 10 jovens que perderam suas vidas no incêndio do Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo. A recente absolvição dos acusados, proferida pela 36ª Vara Criminal do Rio, gerou indignação e aumentou o sentimento de impunidade entre os familiares.
Naquela fatídica noite de fevereiro de 2019, 26 atletas estavam descansando em contêineres improvisados que serviam de alojamento. Era um ambiente que eles consideravam seguro, mas um defeito num aparelho de ar condicionado transformou tudo em pânico e destruição. Dez adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, não sobreviveram. A memória deles agora é mantida viva pela incansável busca de seus familiares por justiça e pela esperança de que decisões futuras revertam essa absolvição.
O que levou à absolvição dos réus?
Para o juiz Tiago Fernandes Barros, não houve provas suficientes para responsabilizar os acusados de maneira direta no trágico incidente. A absolvição baseou-se na falta de comprovação de que seus cargos ou ações foram determinantes para o incêndio.
Os sete réus que foram absolvidos incluem nomes como Antônio Márcio Mongelli Garotti e Fábio Hilário da Silva. A decisão levantou questão sobre a dificuldade de atribuir responsabilidade quando não há uma ligação clara entre atos individuais e o resultado catastrófico.
Quem eram as vítimas?
Os dez adolescentes que não sobreviveram ao incêndio são lembrados por suas famílias e pela comunidade futebolística: Athila Paixão, Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique da Silva Matos, Rykelmo de Souza Vianna, Samuel Thomas Rosa, e Vitor Isaías. Todos eles tinham grandes expectativas em suas carreiras no futebol.
Como as famílias reagiram?
A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (Afavinu) não esconde sua frustração após a absolvição. Esperam que a decisão seja revista e continuam firmes no esforço de sensibilizar a sociedade para que tais tragédias não sejam esquecidas ou subestimadas. Eles veem na Justiça não apenas a aplicação de leis, mas um meio de educar e evitar novos desastres semelhantes.
"A absolvição dos acusados, sob o argumento de que não se conseguiu individualizar condutas técnicas ou provar nexo causal, renova em nós o sentimento de impunidade”, destacou a Afavinu.

Quais são os próximos passos para justiça?
Ainda que o processo penal tenha tido esse desfecho, as ações cíveis contra o Flamengo continuam. A Defensoria Pública e o Ministério Público do Rio pedem uma indenização de R$ 20 milhões, que, se aprovada, destinará recursos ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.
O Clube de Regatas do Flamengo ainda não se pronunciou oficialmente sobre a decisão. Familiares e entidades continuam a pressionar o clube e as autoridades para que tomem medidas transformadoras.
Seguir adiante agora depende do esforço coletivo, de pessoas e entidades comprometidas em transformar a tragédia em pontapé inicial para mudanças na segurança e nos cuidados com jovens atletas. Os nomes dos garotos, que sonhavam em representar nomes consagrados do futebol, ecoam um chamado à responsabilidade coletiva.
Com informações da Agência Brasil