A recente decisão dos Estados Unidos de diminuir as tarifas de importação sobre aproximadamente 200 produtos alimentícios surge como uma notícia positiva no radar internacional. No entanto, para o Brasil, a situação revela um cenário mais complexo. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou que essa medida é um avanço, mas salientou que a redução da alíquota de 40% ainda se aplica exclusivamente ao Brasil, criando obstáculos significativos para as exportações nacionais. Como isso afeta realmente o Brasil e quais são os próximos passos?
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"Há uma distorção que precisa ser corrigida", afirmou Alckmin, referindo-se ao fato de que, enquanto países concorrentes como o Vietnã tiveram reduções tarifárias mais expressivas, o Brasil ainda enfrenta tarifas que comprometem sua competitividade. Um exemplo de sucesso foi a tarifa do suco de laranja, que caiu de 10% para zero, aumentando as exportações em US$ 1,2 bilhão.
Quais foram os avanços nas negociações entre Brasil e EUA?
Os recentes avanços diplomáticos entre o Brasil e os Estados Unidos têm sido pautados por diálogos estratégicos. As conversas entre o presidente Lula e Donald Trump, bem como a diplomacia ativa do chanceler Mauro Vieira com o secretário de Estado, Marco Rubio, abriram espaço para estas novas negociações. "A ordem executiva recente de Trump marcou um passo positivo", comentou Alckmin, enfatizando a importância desses esforços para melhorar as relações comerciais.
Como a redução tarifária impacta as exportações brasileiras?
O impacto das mudanças tarifárias já começa a ser sentido. Com a redução da tarifa global, estima-se um aumento das exportações isentas de sobretaxas de 23% para 26%, representando cerca de US$ 10 bilhões. Contudo, apesar dos cortes nas tarifas, setores como o de carne bovina e frutas ainda enfrentam dificuldades devido à permanência de taxas elevadas.
A posição dos EUA frente à redução tarifária
Segundo o governo americano, esta redução é parte de um esforço para conter a inflação de alimentos e equilibrar a oferta interna. Trump descreveu o ajuste como "um pequeno recuo" e ressaltou que novas reduções não estão nos planos imediatos, mencionando a expectativa de queda nos preços de produtos como o café em decorrência destas mudanças.
Quais são os próximos passos nas negociações comerciais?
Alckmin destacou outras conquistas, como a remoção da tarifa global de 10% e da sobretaxa de 40% sobre o ferro-níquel e a celulose em setembro. Adicionalmente, as tarifas para madeira e móveis tiveram reduções significativas, sob a seção 232 da lei comercial dos EUA, visando proteger a segurança comercial do país.
Com informações da Agência Brasil