No cenário global das grandes economias, os ingredientes críticos para o futuro são claros. Durante a última sessão do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da soberania dos países sobre o conhecimento e o valor agregado dos minerais críticos, elementos fundamentais na transição energética e no campo tecnológico. Mas como garantir que esses recursos realmente beneficiem as nações de onde são extraídos?
A Cúpula do G20 deste ano tem o potencial de mudar paradigmas ao trazer temas vitais para a mesa. A pauta incluiu, além dos minerais críticos, debates sobre inteligência artificial e trabalho decente, numa tentativa de alinhar desenvolvimento com responsabilidade social. Lula fez um chamado sobre a necessidade de políticas que tragam real valor agregado aos países detentores desses recursos.
Por que os minerais críticos são vitais para o desenvolvimento?
Os minerais críticos não são apenas recursos naturais; eles são a base de setores estratégicos, como a tecnologia e a defesa. Estes minerais, que incluem lítio, cobalto, níquel e terras raras, são essenciais para baterias de veículos elétricos e energias renováveis, mas há um risco constante de escassez ou dependência de poucos fornecedores. Lula propõe que a soberania não é apenas sobre possuir essas reservas, mas sobre criar riqueza real por meio delas.
Como a transição energética pode moldar nosso futuro?
A transição energética é uma estrada cheia de oportunidades para explorar tecnologias emergentes e redefinir como os países ricos em recursos naturais devem agir. Lula destacando que os países com vastas reservas devem ir além de serem meros fornecedores, participando ativamente da inovação e da cadeia de valor global. O Brasil, por exemplo, possui 10% das reservas mundiais desses minerais críticos.
A busca por esses minerais já começa a gerar tensões e conflitos em novas frentes de exploração e, não raramente, acelera a crise climática.
A inteligência artificial pode ser uma força para o bem?
Para Lula, a inteligência artificial deve ser vista como "uma oportunidade única" para promover o desenvolvimento global. Contudo, ele defende uma governança global, assegurando que o progresso seja partilhado de forma equitativa. Os desafios são significativos: garantir acesso seguro e confiável a todos e evitar uma nova forma de colonialismo digital. Atualmente, 2,6 bilhões de pessoas ainda não têm acesso ao digital—a desigualdade digital é gritante.
Como garantir trabalho decente num mundo em transformação?
Lula destacou a necessidade de que o avanço tecnológico traga consigo oportunidades de trabalho e proteção ao trabalhador. Com 40% da força de trabalho em risco de automação, como garantir que inovação não se torne sinônimo de exclusão? Cada tecnologia implantada, desde painéis solares a chips, deve ser pautada por inclusão social, fortalecendo os direitos humanos e trabalhistas.
Qual é o papel do G20 no cenário mundial?
Criado em 1999, o G20 é um fórum fundamental para a cooperação econômica internacional, e em 2008 expandiu sua atuação para o cenário político. Sob a presidência sul-africana, a cúpula de 2025 se focou em "Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade", abordando desde a resiliência a desastres naturais até a liderança em transição energética justa.
Durante o evento, Lula não só discursou sobre temas globais, mas também se envolveu em conversas bilaterais significativas, reforçando laços com líderes de outros países e promovendo a cooperação intercontinental. Após a cúpula, sua agenda incluiu uma visita a Moçambique, simbolizando 50 anos de relações diplomáticas entre os países.
Com informações da Agência Brasil