Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, destacou a importância de uma abordagem ampla e coletiva para a transição dos combustíveis fósseis, sem imposição de datas, durante a COP30, recentemente concluída em Belém (PA). A questão desafiadora em jogo é encontrar um equilíbrio que envolva diversos setores interessados, especialmente considerando que o Brasil é um importante produtor de petróleo.
Durante a conferência, conhecida como COP30, um dos eventos mais significativos das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, o chamado Acordo de Belém foi aprovado. Lula afirmou, em uma entrevista durante sua participação na Cúpula do G20, em Joanesburgo, que embora o Acordo peça mais investimentos para a adaptação climática, ele não menciona combustíveis fósseis, grandes vilões das emissões de gases de efeito estufa.
Por que o petróleo ainda é um tema controverso?
A complexidade do tema do petróleo traz desafios significativos. O presidente Lula ressaltou que descontinuar o uso de combustíveis fósseis é politicamente sensível, especialmente para o Brasil, que produz 5 milhões de barris por dia. Conforme Lula, "tem que envolver especialistas, as empresas de petróleo e todos os interessados, pois o petróleo também tem papel na petroquímica, além dos combustíveis".
A proposta de um cronograma para a transição energética foi discutida, mas acabou sendo deixada de fora, estabelecendo-se a discussão em um texto paralelo de origem brasileira, país anfitrião da COP30. "Como país sede, buscamos construir um documento único", afirmou Lula.
Qual foi o papel do Brasil na transição energética?
Lula acredita que o país, com iniciativas como a integração do biodiesel na gasolina e no diesel, está na vanguarda da transição energética, e defende que os recursos provenientes do petróleo sejam utilizados para fomentar essa mudança. "O Brasil dá uma lição de que é possível diminuir o uso de combustíveis fósseis", disse ele.
Como a ausência de líderes impacta eventos importantes como o G20?
Na Cúpula do G20, a ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi minimizada por Lula, que enfatizou que o multilateralismo prevaleceu nas negociações. Segundo Lula, "o multilateralismo é a resposta, pois juntos seremos mais fortes e competentes para resolver problemas globais". A declaração de líderes do G20 foi aprovada, e o evento reafirmou a importância de se materializar as decisões tomadas nos fóruns internacionais.
Qual é a posição do Brasil em questões regionais de segurança?
Outra preocupação de Lula é a presença militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, próximo à costa da Venezuela. Ele expressou desconforto com a situação, argumentando que a América do Sul é uma "zona de paz" e que qualquer escalada militar só agravaria a situação. Lula comparou a situação à guerra na Ucrânia, afirmando que o Brasil, devido à sua proximidade e relações fronteiriças com a Venezuela, tem uma responsabilidade na busca por soluções pacíficas.
Lula concluiu sua agenda no G20 com uma viagem a Maputo, Moçambique, para dar continuidade a diálogos diplomáticos e fortalecer laços internacionais.
O uso de combustíveis fósseis e a busca por soluções sustentáveis permanecerão no epicentro das discussões globais, e o papel de liderança do Brasil pode ser fundamental para uma transição energética justa e eficiente.
Com informações da Agência Brasil