Em uma recente guinada legal no panorama das relações diplomáticas internacionais, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) recuou da acusação de que Nicolás Maduro liderava o Cartel de Los Soles. Essa decisão surpreendeu muitos, especialmente após a denúncia inicial de 2020, onde o então presidente venezuelano era apontado como líder dessa organização de narcotráfico. A nova abordagem legal surgiu após o polêmico sequestro de Maduro pelos EUA, sinalizando uma mudança significativa no tratamento do caso.
Nas acusações anteriores, o termo “Cartel de Los Soles” era mencionado extensivamente, tornando-se o centro das alegações. Então, o que mudou? Vamos explorar o que levou o Departamento de Justiça a ajustar sua estratégia e o que isso pode significar para a política e relações internacionais com a Venezuela.
Por que o Cartel de Los Soles quase sumiu das acusações?
No documento anterior, o nome “Cartel de Los Soles” aparecia dezenas de vezes, estabelecendo Maduro como líder. Contudo, na nova denúncia, essa referência foi drasticamente reduzida. A recente peça do Departamento de Justiça menciona o cartel apenas em segundo plano, sem conectar diretamente Maduro à liderança da organização.
“Nicolas Maduro Moros, o réu – assim como o ex-presidente Chávez antes dele – participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção em que poderosas elites venezuelanas lucram com o tráfico de drogas e proteção de parceiros traficantes”, descreve o documento, direcionando a narrativa para a corrupção sistêmica em vez de uma organização criminosa claramente definida.
Falta de provas consolida novo enfoque?
Com essa mudança, a dificuldade em comprovar a existência do cartel fica evidente. Gabriela de Luca, consultora sênior para Políticas sobre Drogas na União Europeia, observa que a ausência de provas contundentes para confirmar a formação de uma organização criminosa completa levou o Departamento de Justiça dos EUA a adotar uma abordagem mais segura. “Até o momento, não surgiram evidências sólidas para classificar o cartel como uma entidade criminosa tangível”, esclarece Gabriela, destacando como essa nova perspectiva pode fortalecer a acusação focada em condutas individuais de corrupção e tráfico.
O impacto das acusações na imagem de Maduro
Mesmo com o ajuste nas acusações, os EUA continuam a relacionar Maduro a crimes graves no narcotráfico. A denúncia recente o alega envolvido com grupos de narcoguerrilhas colombianas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), além de cartéis mexicanos de renome mundial.
“Maduro Moros e seus cúmplices, durante décadas, fizeram parcerias com alguns dos narcotraficantes mais violentos do mundo, contando com a corrupção de funcionários para distribuir cocaína para os EUA”, afirma o documento, delineando um perfil preocupado com os efeitos desta associação no cenário internacional.
Defesa de Maduro e a posição de Caracas
Maduro se declara inocente no tribunal estadunidense, afirmando ser um prisioneiro de guerra alvo de ações geopolíticas. O governo venezuelano acusa os EUA de fabricarem essas denúncias como pretexto para intervir e tomar controle das vastas reservas petrolíferas do país.
Em meio a essas tensões, Trump pressionou o novo governo venezuelano, liderado interinamente por Delcy Rodríguez, por acesso ao petróleo, enquanto argumenta que os recursos não podem ficar sob controle de nações consideradas adversárias.
Essa saga jurídica e política continua a se desenvolver, com implicações que poderiam moldar o equilíbrio de poder na América Latina e além.
Com informações da Agência Brasil