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No Rio, Cinelândia tem protesto contra sequestro de Nicolás Maduro

No coração da Cinelândia, um ponto de referência histórico para manifestações políticas no Brasil, ocorria uma cena que pode parecer saída de um filme, mas era bem real. Na tarde da última segunda-feira, centenas de pessoas reuniram-se para protestar cont

06/01/2026

06/01/2026

No coração da Cinelândia, um ponto de referência histórico para manifestações políticas no Brasil, ocorria uma cena que pode parecer saída de um filme, mas era bem real. Na tarde da última segunda-feira, centenas de pessoas reuniram-se para protestar contra um evento que abalou o cenário político internacional: o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O episódio, que tomou forma no último sábado, aconteceu quando tropas estadunidenses realizaram um ataque na capital venezuelana, Caracas.

O protesto foi mobilizado pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, uma coalizão composta por cerca de 50 entidades. Este evento trouxe à tona profundas inquietações e levantou questões sobre as ações dos EUA e seus impactos não só na Venezuela, mas em toda a América Latina.

O que levou ao protesto na Cinelândia?

A notícia do ataque e do sequestro de Maduro, que foi levado à força para uma prisão em Nova York junto com sua esposa, caiu como uma bomba na esfera internacional. O anúncio foi feito pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, na manhã de sábado. A acusação contra Maduro inclui suposto envolvimento em narcoterrorismo e conspiração para tráfico de drogas.

Em uma audiência realizada na segunda-feira, o presidente venezuelano se declarou inocente. Ele afirmou ser um prisioneiro de guerra, levantando debate sobre a legitimidade e as motivações das acusações.

Quem estava presente na manifestação?

Nossa equipe da Agência Brasil esteve no local e ouviu relatos emocionados de venezuelanos presentes na Cinelândia.

No Rio, Cinelândia tem protesto contra sequestro de Nicolás Maduro
O venezuelano Ali Alvarez mostra a Constituição de seu país - Gilberto Costa/Agência Brasil

Ali Alvarez, um estudante de mestrado de 31 anos, expressou sua surpresa com os acontecimentos, afirmando estar indignado. Estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Alvarez acredita que a ação dos EUA é uma violação à Constituição Bolivariana da Venezuela.

Alexis Graterol, músico e artista com 20 anos de Brasil, compartilhou das preocupações de Ali, alegando que as acusações contra Maduro são falsas e que o objetivo de Trump seria se apropriar dos recursos naturais do país. Já o psicólogo venezuelano Marco Mendoza, morando no Chile, viu com bons olhos a intervenção estadunidense, preferindo a influência norte-americana à continuidade do regime de Maduro.

Como a resistência está sendo organizada?

A ansiedade por uma resistência contra as ações unilaterais dos EUA foi um sentimento comum entre os manifestantes. O cineasta colombiano Raúl Vidales manifestou o desejo de uma resistência cidadã em prol da soberania. Vidales teme que a intervenção americana se estenda à Colômbia, que já possui bases militares norte-americanas.

“Espero que haja uma resistência cidadã forte por nossa soberania. O problema da colonização, neste momento feroz e brutal, demanda uma ação coletiva interamericana e global frente ao fascismo”, opinou.

Do mesmo modo, o brasileiro Daniel Iliescu, do PCdoB, fez um apelo para que a sociedade civil e governos democráticos se mobilizem para reverter a instabilidade na região, destacando a fragilidade do multilateralismo diante das ações agressivas dos EUA.

No Rio, Cinelândia tem protesto contra sequestro de Nicolás Maduro
Ato na Cinelândia contra a invasão dos Estados Unidos à Venezuela - Gilberto Costa/Agência Brasil

Como vivem os venezuelanos no Brasil?

Com uma comunidade de cerca de 200 mil venezuelanos, o Brasil se tornou um refúgio para muitos que fugiram da crise em seu país natal. Desde 2018, mais de 115 mil venezuelanos foram amparados pelo Estado brasileiro para regularizar sua situação e começar uma nova vida aqui. Destes, a cidade do Rio de Janeiro abriga 3.290 pessoas, ilustrando a extensão do movimento migratório influenciado pelo cenário político e econômico na Venezuela.



Com informações da Agência Brasil

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