Assim que o Carnaval termina, aprendemos que o impacto dos resíduos deixados para trás não se desfaz. Mas e se houvesse uma maneira de transformar esse desperdício em algo novo? Foi essa a ideia que levou ao nascimento do projeto Sustenta Carnaval, que ambiciona reutilizar parte significativa do lixo gerado pelos desfiles no Sambódromo do Rio de Janeiro, oferecendo novas oportunidades para foliões. Este projeto não busca apenas a sustentabilidade, mas também maior equidade social. Mas como ele funciona na prática?

Como o Sustenta Carnaval transforma sonhos em realidade?
A fundadora Mariana Pinho acredita que o projeto Sustenta Carnaval continua o legado cultural das escolas de samba, que não apenas denunciam preconceitos de cor, raça e gênero, mas também propõem uma solução ambiental. "O Sustenta, ele vem para continuar o enredo das escolas, que falam de preconceito de cor, de raça, de gênero; e o ambiental ele é como se fosse o fechamento do ciclo desse enredo. Reutilizando essas fantasias, fazendo com que a receita gere emprego para as pessoas do território que fazem parte desse movimento samba", diz Pinho.
Quem são as pessoas por trás deste movimento cultural sustentado?
Foliões apaixonados pela arte, moda, figurinos e cenários encontram no Sustenta um espaço único para redescobrir o Carnaval. Mariana revela que esse público é diverso: "Em um extremo a gente tem pessoas que são da arte, que são principalmente do mundo do Carnaval, que chegam ali e começam a chorar — que aquilo tudo ia estar no lixo. Amantes de moda, de figurino, de cenário, eles têm uma experiência quase fora do corpo. Vão lá e ficam o dia inteiro."
Qual é o impacto ambiental e social do projeto?
Já no seu primeiro ano, o Sustenta Carnaval conseguiu recolher três toneladas de resíduos têxteis oriundos das fantasias. Com o tempo, se firmou como parceiro da Rio Carnaval e da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), administrando esses resíduos na Sapucaí. Atualmente, o projeto recolhe mais de 23 toneladas por ano, proporcionando não apenas uma solução ambiental, mas também gerando empregos e oportunidades na Pequena África, um território na zona portuária do Rio de Janeiro, repleto de história e importância cultural.
Como você pode conhecer mais sobre essa iniciativa?
O galpão do Sustenta Carnaval está aberto de quarta a sexta, e também aos sábados, na rua Pedro Ernesto, no bairro da Gamboa. Nesse espaço, qualquer um pode presenciar como os resíduos do Carnaval ganham uma nova vida, contribuindo para um futuro mais sustentável e igualitário para os cariocas.
Com informações da Agência Brasil