Voluntários enfrentam estrada para ajudar vítimas de tragédia em Juiz de Fora
Imagine viajar mais de 500 quilômetros em meio a tanta devastação. Assim fizeram os membros de um grupo de voluntários que decidiram desafiar a distância de Piracicaba, no interior de São Paulo, rumo a Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira. Desde a última segunda-feira, a região enfrenta duras consequências devido às chuvas e deslizamentos de terra. Enquanto uma parte da equipe se aventurava pela estrada, outra se empenhava em organizar arrecadações e coordenar a logística para enviar doações.
Entre os dedicados, está o bombeiro civil Rodrigo Bazaglia que, ao chegar na manhã de sexta-feira (27), destinou-se imediatamente ao Parque Jardim Burnier, o bairro mais afetado com 21 vítimas fatais. Disposto a fornecer qualquer tipo de auxílio, seja no resgate de desaparecidos ou na limpeza, ele expressou: "Se for para cavar, vamos cavar. Se for para entrar na água, vamos entrar. Estamos aqui à disposição para ajudar todos os moradores, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros”.
Como surgiram esses heróis anônimos?
O curioso é que todo esse grupo nasceu de outra situação de calamidade. Em 2024, eles se uniram às pressas no Rio Grande do Sul em resposta a desastres similares. Muitos não se conheciam, mas dessa experiência surgiu um vínculo duradouro, uma chama de solidariedade que não se apagou.
Rodrigo compartilha como aquelas memórias ainda os movem: “No Rio Grande do Sul, chegamos quando as chuvas e inundações ainda ocorriam. Aqui, é mais delicado lidar com as famílias devido às perdas que enfrentaram. Isso nos envolve e sentimos parte dessa dor coletiva”.
Quais são os números mais recentes da tragédia?
Infelizmente, os dados são impactantes. Juiz de Fora registra, até o último levantamento, 62 mortes e 3 desaparecidos. Na cidade de Ubá, as tristes estatísticas indicam 6 óbitos e 2 desaparecidos. A crise humanitária reflete-se nos mais de 4.200 desabrigados e desalojados.
O que mobiliza os estudantes de medicina?
Em meio ao drama, um grupo de estudantes de medicina de Juiz de Fora decidiu não ficar parado, e se uniu para fazer a diferença. Eles escalaram as íngremes ladeiras do Parque Jardim Burnier, motivados por um sentimento de urgência e empatia. A mobilização teve início na igreja do pai de um dos estudantes, organizando arrecadações de alimentos, produtos de higiene e kits de limpeza. Só esta semana, 50 kits foram entregues no bairro Vitorino Braga, também castigado pelas chuvas.
Lívia André, estudante do Centro Universitário Antônio Carlos (Unipac), descreve seu primeiro contato com a realidade local: "O sofrimento do próximo é nosso também. Não podíamos ficar parados. Dá aquela sensação de impotência, especialmente quando ocorre na nossa cidade. Precisamos nos mover. Não são só números. Essas pessoas estão sofrendo e estamos aqui para oferecer ajuda, seja em limpeza, com marmitas ou qualquer trabalho braçal que precisem”.
Assista ao vídeo e veja como a solidariedade transforma vidas:
Com informações da Agência Brasil