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BRASIL

Apátrida por 30 anos, ativista encontrou amor e liberdade no Brasil

Para Maha Mamo, tempo não é sinônimo de dinheiro, mas sim de oportunidade. Oportunidade de buscar a felicidade, de estar próximo a quem se ama. “A vida se move com amor”, afirma a ativista que, impulsionada por esse sentimento, deixou o Líbano para viver

13/07/2025

13/07/2025

Para Maha Mamo, tempo não é sinônimo de dinheiro, mas sim de oportunidade. Oportunidade de buscar a felicidade, de estar próximo a quem se ama. “A vida se move com amor”, afirma a ativista que, impulsionada por esse sentimento, deixou o Líbano para viver no Brasil, e, posteriormente, mudou-se para os Estados Unidos com sua esposa. Quer saber mais sobre essa inspiradora jornada de amor e superação? Continue a leitura.

Em um mundo em constante transformação, Maha conversou com a Agência Brasil sobre suas experiências de migração forçada mais de uma vez. Com 37 anos, ela compartilha lições valiosas sobre autoconhecimento, convivência humana e o mundo ao seu redor.

O que leva alguém a deixar sua terra natal?

Maha acredita que ninguém deseja, por vontade própria, abandonar seu país. “É muito triste que, de novo, a gente esqueceu o que é empatia. Precisamos de mais gentileza”, declara. As condições de vida e a busca por segurança empurram muitas pessoas a buscar novos horizontes, embora, muitas vezes, o processo não seja compreendido por todos.

Como ser apátrida transformou a vida de Maha?

A história de Maha e sua irmã, Souad Mamo, é singular. Elas foram as primeiras a serem oficialmente reconhecidas como apátridas no Brasil. Num mundo onde nacionalidade é sinônimo de identidade e acesso, elas viveram sem documentos por mais de 30 anos.

Maha nasceu em 1988, em Beirute, mas não foi registrada como libanesa devido às restrições locais. Seus pais, originários da Síria, igualmente enfrentaram restrições para registrá-la em seu país de origem, devido à diferença religiosa dos progenitores.

Somente em 2014, no Brasil, Maha obteve um documento oficial e em 2018, a nacionalidade brasileira. “Considerada apátrida por grande parte da vida, luto para que outras pessoas não passem pela mesma situação”, destaca. Segundo a Acnur, há 4,4 milhões de apátridas atualmente.

Qual a relação entre amor e sexualidade?

Para Maha, o amor é um guia. Refletindo sobre sua jornada, ela destaca como o amor move as pessoas a enfrentarem desafios. "O tempo é o que escolhemos, onde colocamos nossa energia e com quem compartilhamos momentos", enfatiza.

Foi no Brasil que Maha se permitiu vivenciar livremente sua sexualidade. “Eu tinha namoradas no Líbano, mas me assumindo plenamente só no Brasil, onde me senti completa.” Hoje, casada com Isabela Sena, Maha vive nos Estados Unidos, onde sua esposa recebeu uma proposta de trabalho.

“Eu estava feliz no Brasil, mas escolhi seguir o amor da minha vida”, diz ela sobre a mudança.

Como Maha encontrou aceitação na sua escolha?

Em 2023, Maha, quatro anos após o casamento, confidenciou à mãe que Isabela é sua esposa, não uma amiga. A mãe, uma senhora síria e muçulmana, aceitou a união ao entregar a Maha a aliança da avó, simbolizando uma transformação.

Maha acredita na capacidade de mudança das pessoas: “Às vezes, as surpresas vêm de onde menos esperamos”.

Hoje, Maha planeja lançar seu podcast intitulado Ser in Love, onde discutirá temas sobre amor e suas reflexões de vida. Embora ainda não tenha decidido se será em inglês, Maha faz questão de incluir o português: “Em português, consigo me expressar muito melhor. Quando você ama o país, ama a língua, isso vira parte de você”.



Com informações da Agência Brasil

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