Em 1992, a adolescente Fabiana Renata desapareceu em São Paulo, deixando um vazio insuportável na vida de sua mãe, Vera Lúcia Ranu. Desde então, Vera vive uma rotina de busca e esperança, representando tantas outras famílias no Movimento Nacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas. Nesta semana, Vera se reuniu com autoridades em Brasília para o lançamento da terceira edição da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, que promete ser um alento para milhares de famílias brasileiras. A campanha acontece entre 5 de agosto e 15 de agosto.
Aos olhos de muitos, essa iniciativa representa uma nova esperança. "Quando essa nova jornada do cadastro nacional e do banco de DNA começou, surgiu uma grande expectativa de encontrar especialmente aqueles que desapareceram há muitos anos", relembra Vera. Sua determinação e crença nas "possibilidades" são testemunhas de sua luta contínua.
Como a campanha busca ajudar famílias de desaparecidos?
A campanha é um chamado para que familiares de pessoas desaparecidas doem seu material genético. Esses dados são adicionados a bancos de perfis genéticos estaduais, distrital e nacional. Atualmente, existem 334 pontos de coleta nas 27 unidades da federação, onde peritos aguardam para ajudar essas famílias.
O link para encontrar o ponto de coleta mais próximo está disponível. Essa etapa é crucial para cruzar informações genéticas com dados de restos mortais ou de pessoas desconhecidas em várias instituições.
Quem deve participar da coleta de DNA?
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, é preferível que familiares de primeiro grau sejam os doadores. Isso inclui pai, mãe, filhos e irmãos do desaparecido, que também podem ceder itens pessoais como escova de dente, para análise genética.
A coleta é simples: um profissional usará um cotonete para obter uma amostra da bochecha ou colherá uma gota de sangue. A segurança e finalidade desse material são garantidas, sendo utilizado exclusivamente para localizar parentes desaparecidos.
Processo e tecnologia envolvidos
Depois de coletadas, as informações genéticas são enviadas ao Banco Nacional de Perfis Genéticos, base para comparação com restos mortais não identificados ou com indivíduos vivos de identidade desconhecida em diversas instituições.
Se houver uma correspondência, os doadores são notificados. Casos de pessoas vivas resultam em informações sobre sua localização para a família. Quando um óbito é confirmado, inicia-se o processo legal necessário.
Impacto e resultados alcançados
Na última edição da campanha, em 2024, 1.645 amostras foram coletadas, resultando na identificação de 35 pessoas desaparecidas. Cada caso representa o fim de uma longa espera e uma oportunidade de reconstrução para as famílias envolvidas. "A gente não está falando de números, mas de pessoas, de casos reais", enfatiza Isabel de Figueiredo, diretora do Ministério da Justiça.
Um desses casos trouxe paz para Glaucia Lira, cujo filho mais velho desapareceu há 12 anos. Apesar da confirmação do óbito não ser a notícia que desejava receber, Glaucia reconhece a importância da campanha. "Hoje, eu sei o que aconteceu com meu filho, e isso é vital", afirmou.
Com informações da Agência Brasil