Você já parou para pensar na realidade alarmante da violência sexual contra crianças e adolescentes na Amazônia Legal? Estudos recentes revelam que, entre 2021 e 2023, essa região concentra os maiores índices de violência sexual infantil do Brasil. Seis dos nove estados da Amazônia Legal estão entre os dez com os índices mais altos de todo o país, expondo jovens a várias formas de violência.
Esses dados preocupantes foram divulgados em um estudo do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, intitulado Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia. A pesquisa utilizou informações das secretarias estaduais de Segurança para traçar um panorama da situação.
Por que a violência sexual na Amazônia Legal é tão alarmante?
Nayana Lorena da Silva, oficial de Proteção contra a Violência do Unicef no Brasil, explica que as desigualdades étnico-raciais e a vulnerabilidade social, somadas a conflitos territoriais e crimes ambientais, criam um cenário complicado para proteger as crianças da região. A Amazônia Legal, composta por mais de 700 municípios, registrou impressionantes 31 mil casos de violência sexual e 3 mil mortes violentas intencionais de jovens até 19 anos nesse período.
O que as estatísticas revelam sobre as taxas de violência?”
Entre 2021 e 2022, os casos de estupro e estupro de vulnerável na Amazônia Legal aumentaram 26,4%, quase o dobro do aumento registrado no Brasil como um todo. Em 2023, a situação não melhorou: a região superou a média nacional em 21,4% dos casos. Estados como Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Acre lideram a lista com as maiores ocorrências.
Como a desigualdade étnica impacta a violência na região?
Infelizmente, a desigualdade racial também se reflete nesses números. Em 2023, a taxa de crianças e adolescentes negros mortos por forças de segurança na Amazônia Legal foi três vezes maior que entre brancos. Crianças e adolescentes indígenas também sofrem profundamente. O relatório destaca que, entre 2021 e 2023, ocorreram 94 mortes violentas de crianças indígenas, e os registros de violência sexual aumentaram 151%.
Quais são as iniciativas para enfrentar esses desafios?
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania está desenvolvendo ações específicas para proteger as crianças na Amazônia Legal, respeitando as diversidades da região. Em Roraima, um Centro de Atendimento Integrado apoia crianças Yanomami e Ye’kwana. No Pará, o Programa Cidadania Marajó intensifica esforços contra a exploração sexual, fortalecendo Conselhos Tutelares e instalando Centros de Atendimento Integrado.
Ainda de acordo com o Ministério, o Disque 100 foi reforçado, e o Pacto da Escuta Protegida foi firmado para aprimorar a proteção a crianças e adolescentes na Amazônia Legal. Todas essas iniciativas buscam reverter um cenário que, atualmente, é desafiador e demanda atenção urgente.
Com informações da Agência Brasil