Em 19 de agosto, comemora-se o Dia do Orgulho Lésbico, uma data que vai além da celebração, simbolizando a luta por direitos e o combate ao preconceito contra mulheres lésbicas. Esta é uma oportunidade para relembrar as batalhas enfrentadas, agradecendo aos que pavimentaram o caminho e reafirmando a importância da organização coletiva. Falando à Agência Brasil, ativistas destacaram a importância histórica da data e a necessidade de continuar avançando.
Caroline Fernandes, idealizadora da livraria Pulsa, primeira no Brasil dedicada às temáticas LGBTQIAPN+, destaca: “Se o caminho está um pouquinho mais pavimentado, é porque muita gente lutou antes de nós. E a gente continua fazendo esse caminho”.
O que simboliza o Dia do Orgulho Lésbico?
Este dia remete ao Levante do Ferro’s Bar em São Paulo, ocorrido em 19 de agosto de 1983, muitas vezes lembrado como o "Stonewall brasileiro". Mulheres do Grupo de Ação Lésbica Feminista distribuíam o jornal Chanacomchana no bar quando foram impedidas, o que resultou numa revolta liderada por Rosely Roth. A ação conjunta foi apoiada por outros movimentos sociais e visou denunciar a censura e a violência policial.
Nas palavras de Fernandes, estas datas ressaltam a importância do trabalho em rede e comunidade: "Acho que isso é importante ainda hoje também para direcionar a gente para esse lugar da rede, do estar juntas, para fazer uma revolução".
Como a Caminhada do Orgulho Lésbico fortalece a luta?
No Rio de Janeiro, a quinta Caminhada do Orgulho Lésbico reuniu mulheres em ato de reivindicação no centro da cidade, neste ano. Segundo Camila Marins, editora da Revista Brejeiras e idealizadora do Projeto de Lei Luana Barbosa, a caminhada é vital para promover os direitos das lésbicas. O projeto visa enfrentar o lesbocídio e promover uma cultura de não violência contra as mulheres lésbicas, instituindo o Dia Municipal de Enfrentamento ao Lesbocídio.
Quais são os desafios e avanços na luta pelos direitos?
Embora a legislação avance, como visto com projetos aprovados em municípios como Niterói, Marins aponta a necessidade de comprometimento político do Executivo para alocar recursos em políticas públicas específicas para lésbicas. “Avançamos, mas ainda temos muito a conquistar,” observa Marins.
Qual o impacto do Mês da Visibilidade Lésbica?
Agosto ganha destaque não apenas pelo Dia do Orgulho, mas também pelo 29 de agosto, Dia da Visibilidade Lésbica, quando ocorreu o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas, em 1996. No Rio, entre os dias 19 e 29 de agosto, o projeto 10 Dias de Ação Sapatão impulsiona vários eventos. Entre os homenageados, destacam-se Catarina de França e Marielle Franco.
Como se combatem a discriminação e a invisibilidade?
Segundo o IBGE, 0,9% das mulheres no Brasil se declaram lésbicas. Contudo, a discriminação ainda é prevalente. Estudos como o Lesbocenso Nacional revelam que 78,61% das mulheres lésbicas enfrentam lesbofobia. De 2016 a 2017, casos de violência cresceram 80%, e em 2023, o Grupo Gay da Bahia registrou nove mortes violentas de lésbicas.
O combate a essa realidade complexa continua desfiante, exigindo um empenho contínuo para construir uma sociedade mais justa e inclusiva.
Com informações da Agência Brasil